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Valorizando os paratletas

Arquivo Geral

30/07/2013 13h00

É comum nas mesas de bares ouvir a seguinte frase quando um atacante perde um gol fácil: “Esse eu faria até de olhos fechados”. A frase pode não ter uma intenção preconceituosa, mas é, sim uma grande injustiça com os atletas que disputam a modalidade paralímpica, mais conhecido como futebol de cinco, modalidade exclusiva para deficientes visuais.

 

Com o intuito de provar que é preciso muita dedicação e perseverança para praticar o esporte – alguns campeões olímpicos do futebol de cinco, estiveram em um shopping da cidade, participando do projeto Experimentando Diferenças, organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. Este tem a intenção de interar público com tal modalidade. “Adoro falar sobre futebol de cinco, participar de atividades assim. As pessoas entram achando que vai ser fácil e se surpreendem. Passam a dar mais valor ao nosso trabalho, criam uma consciência de como isso aqui é importante para nós”, comentou o camisa 10 da seleção brasileira, Ricardinho, melhor jogador do mundo na modalidade, em 2006.

 

Assim como ele, Jefinho, que também sagrou-se melhor do mundo – porém em 2012–,  participa do projeto. “É importante para eles sentirem um pouco daquilo que nós também, dentro de quadra. Podem vivenciar que, de fato, não é fácil praticar nosso esporte. É preciso treino e muita dedicação”, disse.


Conforme a tarde de ontem se passava, curiosos apareciam para tentar fazer um gol sem poder enxergar. “Na hora que vamos chutar é complicado, é difícil acertar”, comentou a atendente Bruna Braga. Acompanhada de suas colegas de trabalho Laial Letícia e Vanessa Mota, as três aproveitaram o descanso para experimentar.


Superação

 

“É interessante ver como é difícil para nós e como eles conseguem se superar para realizar isso. Com certeza eles não sentem mais dificuldades por treinar muito. É legal ver como é a superação dessas pessoas”, comentou Vanessa.

 

Para o estudante Marcos Paulo Gazon, o esporte é impressionante por conta da independência dos outros sentidos destes atletas. “Eu não sabia que a bola tinha um guizo. Mas não adiantou. Quando me vendaram, parecia que estava tudo tapado, inclusive ouvido. É impressionante a noção de espaço que eles precisam adquirir para competirem”, comentou.

 

O  evento começou na última sexta-feira e vai até o próximo domingo. Para participar do projeto em um shopping localizado no Lago Norte, não precisa pagar nada. O evento começa às 10h até às 22 h. Os atletas ficam entre 16h e 20 h.
 
 
Futebol de Cinco
 
 
O Futebol de cinco é uma adaptação do futebol para atletas com deficiências visuais, incluindo os cegos. É  jogado com regras da FIFA modificadas. Cada equipe tem cinco jogadores. As equipas podem ainda ter um guia, que está posicionado fora do campo de jogo, para assistir os jogadores dirigindo-os. A bola está equipada com um guizo para os jogadores poderem localizá-la pelo som. Os jogos têm duas partes de 25 minutos cada, com um intervalo de 10 minutos. Os jogadores de Futebol de cinco têm uma de três classes, de acordo com o seu nível de deficiência visual. O Brasil fez história com a conquista do tricampeonato paralímpico invicto em Londres, no ano passado. Na final, a seleção brasileira venceu a França por 2 x 0.
 

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