É comum nas mesas de bares ouvir a seguinte frase quando um atacante perde um gol fácil: “Esse eu faria até de olhos fechados”. A frase pode não ter uma intenção preconceituosa, mas é, sim uma grande injustiça com os atletas que disputam a modalidade paralímpica, mais conhecido como futebol de cinco, modalidade exclusiva para deficientes visuais.
Com o intuito de provar que é preciso muita dedicação e perseverança para praticar o esporte – alguns campeões olímpicos do futebol de cinco, estiveram em um shopping da cidade, participando do projeto Experimentando Diferenças, organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. Este tem a intenção de interar público com tal modalidade. “Adoro falar sobre futebol de cinco, participar de atividades assim. As pessoas entram achando que vai ser fácil e se surpreendem. Passam a dar mais valor ao nosso trabalho, criam uma consciência de como isso aqui é importante para nós”, comentou o camisa 10 da seleção brasileira, Ricardinho, melhor jogador do mundo na modalidade, em 2006.
Assim como ele, Jefinho, que também sagrou-se melhor do mundo – porém em 2012–, participa do projeto. “É importante para eles sentirem um pouco daquilo que nós também, dentro de quadra. Podem vivenciar que, de fato, não é fácil praticar nosso esporte. É preciso treino e muita dedicação”, disse.
Conforme a tarde de ontem se passava, curiosos apareciam para tentar fazer um gol sem poder enxergar. “Na hora que vamos chutar é complicado, é difícil acertar”, comentou a atendente Bruna Braga. Acompanhada de suas colegas de trabalho Laial Letícia e Vanessa Mota, as três aproveitaram o descanso para experimentar.
Superação
“É interessante ver como é difícil para nós e como eles conseguem se superar para realizar isso. Com certeza eles não sentem mais dificuldades por treinar muito. É legal ver como é a superação dessas pessoas”, comentou Vanessa.
Para o estudante Marcos Paulo Gazon, o esporte é impressionante por conta da independência dos outros sentidos destes atletas. “Eu não sabia que a bola tinha um guizo. Mas não adiantou. Quando me vendaram, parecia que estava tudo tapado, inclusive ouvido. É impressionante a noção de espaço que eles precisam adquirir para competirem”, comentou.