Torcedor do Fluminense e vidrado nos jogos da Copa das Confederações, o pequeno Rudah Bosi pôde ver a comemoração exótica do gol solitário até aqui da seleção taitiana diante da Nigéria, na última segunda-feira. Os jogadores festejaram o feito com movimentos da canoa polinésia – esporte predominante do país – e conseguiram chamar a atenção.
Sentado na proa do barco admirando a paisagem que o Lago Paranoá proporciona, Rudah observa ao vivo o esporte preferido dos taitianos – em Brasília, um pequeno grupo com seis pessoas pratica a modalidade.
Levado pela força braçal do pai e de outros cinco atletas, o filho aprende com o progenitor desde cedo que, assim como o futebol apresentado pelos taitianos, a canoagem exige um esforço e sincronia do grupo como um todo.
“Uma coisa é você remar sozinho e outra é conseguir sucesso dependendo do desempenho do grupo. Exatamente como funciona no futebol. Mas aqui é muito mais divertido”, opina o atleta Lucas Maravalhas, que se declara apaixonado pela canoa polinésia. “Os taitianos souberam demonstrar isso (esforço conjunto)”, compara Marcelo Bosi, instrutor da escola de canoagem Canuí.
Torcedor do Taiti na Copa das Confederações, o grupo assistiu, na última quarta, à derrota do país de origem do esporte aquático, por 10 x 0, para a Espanha.
O Esporte da capital
Presente em Brasília há dez anos, a procura pela modalidade não é das melhores. Marcelo, responsável por trazer a única canoa polinésia para a capital, afirma que está em processo de negociação para adquirir outra. “Em todo o território brasiliense só temos uma canoa e eu estou quase conseguindo outra. Assim, a acessibilidade fica muito mais fácil”, explica o instrutor.
Canoa no Lago e vontade de remar não são suficientes. Marcelo confessa que há outro ponto fundamental a se conquistar. “Estamos em processo de resgate, cujo objetivo é trazer novas pessoas que praticam algum outro esporte na água. Quero que sintam-se atraídos também por ela (a canoa)”, projeta.
Vale tudo
Por outro lado, Lucas brinca que o convite é estendido a todos. “Quando vou para a balada, até lá, saio convidando a galera que nem conheço (risos). As pessoas precisam descobrir isso”, confessa.