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Técnico assume papel crítico para Arthur Zanetti "ser bonzinho"

Arquivo Geral

14/06/2013 16h18

As críticas do ginasta Arthur Zanetti à estrutura do esporte do Brasil não devem se repetir. Mas não porque o atleta esteja satisfeito com o apoio que recebe e as condições de treinamento à disposição. A mudança é o porta-voz das reclamações, agora seu técnico Marcos Goto.

 

Após conquistar a medalha de ouro na prova das argolas nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, Zanetti criticou repetidamente a estrutura que tinha à disposição para trabalhar. Aberto até a defender outro país, caso recebesse propostas, o brasileiro desistiu da ideia e arrefeceu as reclamações após o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) repassar equipamentos de treino para o ginásio em que o atleta treina em São Caetano do Sul.

 

“Ele tem que ficar na dele, tem que ser o bonzinho. O mau aqui sou eu”, afirmou, em meio a risos, Marcos Goto, tentando explicar por que Zanetti, mesmo questionado sobre o assunto, evitou fazer críticas à estrutura de trabalho que encontra em um acanhado ginásio em São Caetano do Sul.

 

Após o repasse dos equipamentos de treinamento, no fim de abril, até mesmo Goto diminuiu o tom das críticas ao COB e hoje avalia como positiva a postura da entidade no apoio a Zanetti. Mas ainda espera que a prefeitura de São Caetano do Sul e o Ministério do Esporte trabalhem para melhorar a estrutura da ginástica artística.

 

Questionado sobre o que há de diferente entre um lugar de treino ideal e o que tem à disposição, o treinador foi enfático: “tudo”.

 

“As telhas são de amianto, hoje é proibido por lei ter telha de amianto. Começa por aí. Você não tem vestiário, nem lugar para os atletas descansarem. Eles fazem seis, sete hores de treino. O cara almoça e fica onde? Se joga em cima dos aparelhos e dos colchões. Precisa de um lugar para isso. Não tem refeitório. A gente precisa de uma estrutura melhor para um campeão olímpico e para novos campeões”, reclamou.

 

Goto criticou ainda o que considera excesso de atenção para os preparativos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, em detrimento do desenvolvimento do esporte olímpico no País. Segundo o treinador, pode faltar tempo para construir um legado para o Brasil se as ações só forem tomadas após o Mundial da Fifa.

“A gente está esperando que as Oimpíadas deixem um legado para o esporte, mas por enquanto só consigo enxergar o País falando de reforma de estádio. E depois de 2016 vão fazer o que? Eu trabalho com garotos pequenos que são para os Jogos de 2020 ou 2024. Como vai ser lá? Vão fazer tudo para 2016 e depois cada um que se vire? A gente tem que estar preocupado com isso”.

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