A temporada de 2013 é, sem dúvida, a melhor na carreira do tenista Bruno Soares. No último domingo, conquistou ao lado de Alexander Peya o título do Masters 1000 de Montreal, no Canadá – o primeiro de sua carreira -, ao superar os britânicos Andy Murray e Colin Fleming. Sem fazer muito barulho e ao melhor estilo mineiro, o atleta vem ganhando espaço no circuito de duplas, e hoje ocupa a 4ª posição no ranking da ATP, ficando atrás apenas do parceiro austríaco, e dos norte-americanos Mike e Bob Bryan, “donos” do circuito há muitos anos. Em conversa com o Jornal de Brasília , Soares diz que está chegando a hora de derrotar os irmãos Bryan e que sonha em conquistar uma medalha nas Olimpíadas de 2016, ano em que acredita que estará no auge de sua carreira.
Como é ser considerado por muitos como o melhor tenista brasileiro da atualidade? Como absorve esse peso?
Fico muito feliz. Trabalhei minha carreira inteira para chegar onde estou chegando. Recebo isso como uma honra tremenda e com o maior carinho por todo mundo que me acompanha e que torce por mim.
Até onde o Bruno Soares pode chegar na carreira?
Difícil falar. O que posso falar e sempre falei é que trabalho muito duro para ser o melhor que posso ser, e isso só vou saber no final da minha carreira. Venho conquistando muitas coisas bacanas, e podem ter certeza que vou continuar trabalhando e treinando bastante para conquistar muita coisa positiva para o tênis brasileiro.
Acredita que teria alcançado esses números e títulos atuando com um atleta brasileiro ou foi essencial jogar com europeu?
O parceiro é uma questão do momento, entrosamento e do que você está sentindo. O fato de ser brasileiro ou estrangeiro não dá para analisar muito. Vou muito mais pela característica do jogador. O Alex (Alexander Peya, austríaco e parceiro de Soares), quando a gente resolveu começar a jogar juntos, foi justamente por causa disso. Tanto eu quanto ele acreditavávamos nas nossas características, na forma como a gente joga (o tênis) nas duplas, como pensa e como um completa o outro. Nada impede de futuramente aparecer alguém, brasileiro ou de qualquer lugar do mundo com essa característica, que entrose dessa maneira e começar a jogar juntos.
Mas você pensa em trocar de dupla ou só atrapalharia o entrosamento com o austríaco?
No momento não penso em trocar. A gente vem num momento muito bom desde que começamos a jogar juntos. Mas a gente sabe que no circuito de duplas nada é para sempre. Uma hora vai acontecer. Por um motivo ou outro a gente vai ter que trocar de parceiro e, quando isso ocorrer, vou ter que levar da melhor maneira possível, tentar arrumar alguém que possa encaixar o jogo novamente. Por enquanto, com o Alex, está fluindo muito bem e a gente pretende continuar.
Você chegou a receber algum convite para mudar de dupla?
Por enquanto não. O pessoal sabe que eu e o Alex estamos com essa mentalidade de continuar jogando juntos. No Circuito as coisas começam a sair, o pessoal sabe de algumas pessoas que vão trocar as parcerias, que têm esses (atletas) que estão buscando e acabam correndo atrás, convidando.
Toparia formar dupla com algum argentino?
Sim. Não teria problema. Tenho vários amigos argentinos. O pessoal de lá é do mais alto nível. Tem grandes jogadores… o (Juan Martín) Del Potro, o (Juan) Monaco e toda essa geração. Não teria nenhum problema em jogar com um argentino.
Ninguém tem conseguido, mas dá para derrotar os irmãos Mike e Bob Bryan (norte-americanos, líderes do ranking de duplas da ATP)?
É possível! Eles estão em uma fase espetacular. É mais ou menos o que está passando o (Novak) Djokovic, o que fez o (Rafael) Nadal e o (Roger) Federer quando dominava. Eles fazem isso nas duplas, dominam o Circuito de uma maneira incrível, mas não são imbatíveis e uma hora ou outra eles perdem. Agora é tentar ir melhorando e evoluindo para cada vez chegar mais perto de ganhar desses caras.
Em 2016 teremos Olimpíada no Brasil. Virou obsessão conquistar uma medalha?
É um dos meus maiores objetivos. Eu e o Marcelo (Melo) conversamos muito sobre isso. Por ser no Rio de Janeiro, é um grande objetivo nosso. A gente acredita que vamos estar no auge na época das Olimpíadas no Rio, então a gente tem que aproveitar essa onda e esses anos de preparação para chegar lá extremamente bem preparado.Não virou obsessão não, mas é algo que quero muito.