Incentivada pelos pais desde quando tinha cinco anos de idade a se manter mundo esportivo, a estudante Ana Keyla hoje é 10ª melhor do mundo no bicicross, mas se vê diante de um impasse. A falta de estrutura e incentivo à modalidade em Brasília, a deixa em dúvida entre permanecer no esporte ou migrar para a sua segunda paixão, o futebol.
A situação é tão crítica que seus pais financiam desde equipamentos a viagens que faz a São Paulo para competir. A mãe, Judith Pereira, diz que o dinheiro gasto é um investimento no futuro. “A gente ouve muito que ela é uma aposta para as Olimpíadas de 2016. Mas é muito fácil ver um talento e não investir para o crescimento dele”, ridiculariza a mãe.
“Para ser reconhecido nesse meio, é preciso apresentar muitos resultados. Ela tem, mas o investimento é todo nosso”, desabafa a mãe, funcionária pública, que intercala as viagens com o marido para acompanhar a filha.
Alto investimento
A vantagem de Ana é por ser filha única. Por isso, ela consegue tantos benefícios dos pais. “Minha bicicleta é nova e custou R$ 5 mil. Estamos vendendo a antiga para compensar o valor”, explica Ana. “Não é nem a bicicleta, e sim o valor de passagem e hospedagem. Estávamos no Mundial na Nova Zelândia e gastamos mais de R$ 12 mil”, conta.
Ela pode mudar de área
Amiga das brasilienses Victória Albuquerque e Ellen Nogueira que buscam vaga no elenco da seleção feminina de futebol sub-17, Ana Keyla mostrou tristeza ao perder a oportunidade de estar ao lado das amigas brasilienses.
“Fui ao Mundial na Nova Zelândia na época da seletiva. No exterior fiquei em 10º lugar, foi muito bom, mas também queria jogar futebol com elas”, lamenta a estudante de 15 anos, ciente de que um dia terá que optar por um único caminho.
“O custo do futebol é infinitamente menor, porém como ela pode ser uma promessa nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, estamos esperançosos. A decisão só depende dela”, pondera Judith, a mãe.
Professor de futebol e principal personagem por ter descoberto o talento de Ana com a bola, Marcos Carvalho também conseguiu uma bolsa no Colégio Notre Dame para a sua aluna como incentivo. “Ela é tão boa quanto a Victória e a Ellen. Se estivesse no Brasil, certamente estaria treinando no Rio”, sonha.
Com a bola toda
Mesmo com a preferência de competir em São Paulo, Ana participa de torneios no DF. Seu talento é tão grande que foi capaz de mudar a data de um campeonato.
“Estava no Mundial e a etapa final do Campeonato Brasiliense de Bicicross seria dia 22 de agosto. Por minha causa, foi adiada a etapa esperando o meu retorno ao País”, gaba-se a primeira do Brasil na categoria até 15 anos.