Kiara Mila
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O armador americano, naturalizado brasileiro em 2012, hoje representa o Brasil no Jogo das Estrelas. Na véspera de entrar para a história como o único atleta no evento a atuar por ambos os lados, Larry Taylor recebeu a reportagem do Jornal de Brasília no hotel em que está hospedado.
Com um português afiado – tem até sotaque do interior paulista –, ele contou sobre sua vida de recém-brasileiro, falou a respeito do acolhimento dos fãs e o porquê da decisão de fazer morada aqui. Para o armador, foi surpresa estar entre os cinco mais votados para defender o NBB Brasil, por voto popular.
Em bate-papo descontraído, ele esclareceu as dúvidas quanto à sua naturalização, admite gostar de caipirinha e, claro, brinca com o fato de ser “zoado” pelos colegas do NBB Mundo, que hoje serão seus rivais.
Com a sua naturalização, você teve que jogar as últimas Olimpíadas contra os Estados Unidos. Como foi a receptividade do público ao saber que você estava do “outro lado”?
Foi uma experiência que nunca imaginei que teria. Os meus amigos e familiares que foram, torceram para o Brasil em todos os jogos. Diziam que o país deles é os EUA, mas que, em primeiro lugar, torceriam por mim.
Por que escolheu o Brasil?
Desde a primeira vez que vim, logo me apaixonei. O que mais me chamou a atenção foi o jeito das pessoas daqui, do jeito que me trataram. E o clima! Sou de Chicago e lá é muito frio… Gosto do clima tropical.
Como é a sua vida de brasileiro?
Normal. Gosto da caipirinha e de uma boa picanha. Mas a maior dificuldade que tive foi aprender a língua de vocês.
O carinho dos fãs é diferente agora que você é brasileiro?
Ah, é muito diferente. Agora, quando vou aos ginásios, sempre tem alguém para me dar os parabéns e me agradecer por ter participado da seleção.
Viaja com frequência aos Estados Unidos?
Não. Só duas vezes ao ano, quando acaba o campeonato.
Sua família aceitou com facilidade a sua naturalização?
Sim. Eles sabem qual é o meu trabalho aqui e me apoiam em todas as minhas decisões. Agora em março minha mãe vem pra cá e tenho certeza de que vai adorar tudo isto aqui.
Antes você jogava no NBB Mundo. Hoje, NBB Brasil. Mesmo não sendo natural daqui, como é a experiência de carregar no peito o emblema de um país estrangeiro?
É bom saber que fui votado para jogar nos dois lados. A única coisa que diferencia é que os meus amigos do “Mundo” pegam demais no meu pé, eles falam demais (risos), mas agora eu digo que sou brasileiro e tenho que representar o meu país, já era! Apesar de já ter jogado pelo Brasil nas Olimpíadas, creio que esta será mais uma grande oportunidade de jogar com os meus amigos de seleção.
Você é o único atleta que conseguiu jogar nos dois times, além de ter participado de todas as outras edições do Jogo das Estrelas. Você espera que outros sigam o seu caminho de se naturalizarem em outros países?
Eu sei que esta é uma missão difícil e fico feliz em fazer parte da história agora, apesar de nunca ter imaginado que isso aconteceria. Mas eu sei que existem outros atletas que desejam ser brasileiros também, o Shamell é um deles (risos). Não sei se vai acontecer, mas torço para que dê certo.
Você foi escalado ao NBB Brasil por votação do público. Foram mais de 12 mil votos. Como é estar entre os cinco primeiros em uma votação onde quem decidiu foi o público brasileiro?
Eu não esperava isso e, para mim, é uma satisfação enorme. Ainda mais por ser votação e a gente nunca sabe o que o público pensa. Sinto que o brasileiro gosta do meu jeito de jogar e é muito bom ser reconhecido pelas coisas que faço dentro da quadra. É a minha paixão!
Larry, você é o armador do time. Qual outro atleta, que atua na sua posição, e que merece um destaque?
Ah, o Fulvio e o Nezinho, para mim, são os dois melhores armadores brasileiros e de nós três… Qualquer um merece jogar e ser titular do time.
Esta é a segunda vez que visita a capital federal. O que achou daqui?
Da outra vez que vim, fiz um tour pela cidade, conheci o Palácio do Planalto e aprendi um pouco da história daqui.
Um palpite: Quem será o campeão do NBB?
Além do Bauru? (risos) Ah… O Brasília. Ele é o grande favorito.