Carla Rodrigues, especial para o JBr
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Ele poderia ostentar todos os títulos das competições nas quais foi vencedor. Mas, ao contrário disso, é com timidez que Damião Omero Martins diz como conquistou suas medalhas. Com fala mansa e baixa, o bombeiro, que mora em Brasília há 35 anos, chegou ao pódio em competições mundiais de caratê por três vezes. E, em plena boa forma aos 51 anos, afirma que não tem pretensão de parar com o esporte. Pelo contrário. Para ele, a modalidade na qual foi tantas vezes campeão é vida: 37 anos de sua vida dedicada aos treinos e competições.
“Me virei nos 30 durante todos esses anos. Em 2009, ganhei duas competições internacionais sem patrocinador. Na época, cheguei a fazer um empréstimo de R$ 8 mil no banco para viajar. Acredito em treino. Quem quer ganhar foca em treinos e leva isso a sério”, conta.
Hoje, Damião tem uma rotina pesada de treinos e aulas que oferece no projeto Esporte para Todos, criado por ele e a mulher, Sônia, há mais de dez anos. De segunda a sexta-feira, os dois ministram aulas de caratê em escolas públicas do DF. Sem descanso. Contudo, o bombeiro carateca afirma que o resultado é compensador.
“A gente vê a autoestima desses jovens mudando. São crianças que ingressam no caratê aos seis anos e muitos, a maioria, não para mais”, diz. Ao todo, Damião tem aproximadamente 80 alunos por dia: “É gratificante, sabe, ver que a gente muda um pouco a vida dessas pessoas. Elas evoluem, elas desenvolvem suas capacidades. É isso que o esporte faz”.
Amor por meio do esporte
Enquanto contava sua história, o mineiro, natural de Patos de Minas, referia-se à mulher como uma de suas referências: “Ela que sabe toda minha agenda. Estamos juntos há 31 anos. É uma vida de parceria.”
Além de cuidar dos horários do marido, Sônia, de 49 anos, luta ao lado dele. Ela está, junto com ele, na categoria máster do caratê. “Fomos feitos um para o outro. O caratê foi um motivo a mais para ficarmos juntos”, brinca Damião.