Depois de 23 anos, o Brasil voltou a ter uma tenista entre as 100 melhores do mundo. A marca, alcançada pela última vez pela ex-atleta Andrea Vieira – ela chegou ao 95º lugar em 1990 -, hoje possui mais uma “canarinha”: a pernambucana Teliana Pereira, de 25 anos.
Sem jogar desde a queda na segunda rodada do torneio de Bastad, na Suécia, a tenista brasileira subiu quatro posições e agora ocupa justamente a 100ª colocação no ranking da WTA, com 660 pontos.
A lista, no entanto, não apresentou alterações nas dez primeiras colocações. Assim, o ranking continua sendo liderado pela norte-americana Serena Williams, com 11.705 pontos, seguida pela russa Maria Sharapova, que soma 9.010, e pela bielo-russa Victoria Azarenka, com 8.825.
Vice-campeã do Torneio de Stanford, a polonesa Agnieszka Radwanska segue na 4ª posição, com 6.125 pontos. O top 10 é completado pela chinesa Na Li, pela italiana Sara Errani, pela tcheca Petra Kvitova, pela francesa Marion Bartoli, pela alemã Angelique Kerber e pela dinamarquesa Caroline Wozniacki.

Desafios e conquistas
“Parto do princípio de que tudo o que é feminino é mais difícil. A mulher precisa vencer vários tabus para ser reconhecida, e no esporte não seria diferente”, analisa o ex-tenista e dono de uma escolinha preparatória Edison Raw Júnior, ao comentar o desempenho das mulheres no tênis.
Apesar das dificuldades, Edison acredita que o interesse das mulheres pelo esporte cresceu . “Creio que há uma divulgação bem maior hoje do que no passado. Vejo que a modalidade feminina está em ascensão muito mais do que a masculina”, compara o professor.
Hoje, no entanto, o número de mulheres na escolinha de Edison é bastante inferior ao dos homens. Dos 150 alunos, apenas dez são garotas.
“Conseguimos quebrar um tabu antigo de que o tênis deixava as meninas com um biotipo masculinizado. Hoje, os pais percebem que isso não passa de lenda e vejo que há um interesse maior deles em matricular suas filhas num esporte como esse”, diz. “O tênis é completo. Se uma mulher quer atingir o corpo dos sonhos, esse esporte é ideal”, ressalta.
Incentivando as amigas
As jovens Nathalia Endes e Dorothea Niklahs são algumas das “guerreiras” e alunas de Edison.
“Fico muito feliz que a gente tenha uma brasileira entre as 100 melhores”, comemora Nathália Endes. Com uma quadra em casa, ela aproveita o tempo livre para incentivar as amigas no esporte. “Sei que elas gostam, mas acho que preferem outras coisas, como futebol ou dança, mas eu tento”, brinca.
Memória – Andréa Vieira
Também conhecida como Dadá Vieira, atingiu seu melhor ranking em 6 de novembro de 1989, chegando ao número 76 do ranking feminino de simples. Em abril de 1991, alcançou o 134° lugar nas duplas. Andrea não disputou nenhuma final de simples pela WTA, apenas uma decisão duplas, sendo vice-campeã ao lado da compatriota Claudia Chabalgoity. “Dadá” foi medalhista de simples e também de duplas nos Jogos Pan-americanos de Havana, em 1991, e Mar del Plata, em 1995.