Dois dias após o nocaute da luta fatídica entre Anderson Silva e o norte-americano Chris Weidman, profissionais e alunos que praticam a modalidade ainda demonstram uma certa frustração quando lembram do último domingo.
Dono de academia que leciona as artes marciais, Pedro Galiza lamenta a derrota de Anderson, que em Las Vegas defendia o cinturão pela 11ª vez. “No exterior, o Weidman já treinava com pessoas que usavam o psicológico como o Anderson, então ele entrou na luta sabendo o que ia enfrentar”, lembra o faixa preta de jiu-jítsu.
“Todo mundo ficou triste porque o Brasil em peso torcia pelo Anderson. Ele sempre foi muito de provocar, mas desta vez não deu certo. Acho que ele exagerou muito em todas as etapas, desde a pesagem até a própria luta”, pontua o professor de MMA.
Precavido
Praticante da modalidade desde 2004, Pedro já viajou o mundo em busca de novas alternativas que o auxiliassem a consolidar o jiu-jítsu na capital. Assim que voltou ao Brasil, decidiu abrir a academia que entrou em vigor quando o MMA explodiu e a procura pela modalidade se tornou maior.
Ciente das responsabilidades que carrega por ser um conhecedor das artes marciais, Pedro afirma que se estivesse no lugar de Anderson na luta, faria diferente. “No MMA a gente aprende a nunca baixar a guarda. As provocações são normais e próprias do esporte, mas eu não me abriria do jeito que ele se abriu, dando liberdade para o rival se aproximar”, confessa.
Praticante do boxe, Juliana Rezende foi a primeira mulher a ingressar na academia. Frustrada com a luta, ela não deixou de destacar o profissionalismo de Anderson. “Ele é um lutador maravilhoso e merece o nosso respeito, mesmo com essa derrota.”
Futuro promissor
Apontado pelo professor como o atleta mais bem preparado de sua academia, Lucas Caio praticava movimentos do jiu-jítsu no tatame enquanto Pedro conversava com a reportagem. Assim que terminou, Lucas opinou sobre o duelo. “Anderson é completo como atleta, mas exagerou. No lugar dele, eu respeitaria mais o adversário”, opina.
Caiu na lona e no ranking
Não foi apenas dentro do octógono que Anderson Silva perdeu. Fora dele, no ranking semanal divulgado pelo UFC, o brasileiro “despencou” para a terceira posição entre os lutadores de todas as categorias.
Líder desde a criação do ranking oficial da organização, em fevereiro deste ano, o ex-campeão dos médios (até 84kg) perdeu a ponta para o americano Jon Jones, campeão dos meio-pesados (até 93kg), e também foi ultrapassado pelo canadense Georges St-Pierre, dono do cinturão dos meio-médios (até 77kg).
Primeiro
Embora tenha perdido a ponta entre todos os pesos, Anderson segue como o mais cotado ao título em sua categoria. Agora, ao contrário do “C” que o acompanhava no ranking, o Spider aparece com o número 1, o que, teoricamente, significa que é o “próximo” a lutar pelo cinturão.
Para o presidente do UFC, Dana White, a revanche é o caminho natural para Anderson. O brasileiro, no entanto, não demonstrou grande vontade de lutar novamente pelo cinturão.
Números
38 anos
tem Anderson Silva
16 vitórias seguidas
tinha Anderson na categoria peso médio do UFC
10 vezes
defendeu o cinturão até perdê-lo para Weidman no último domingo