Menu
Mais Esportes

Após fim do Projeto Rio Tênis 2016, CBT nega irregularidades

Arquivo Geral

04/04/2013 17h00

Na última quarta-feira, o Projeto Olímpico Rio Tênis 2016 foi oficialmente encerrado e, depois de o tenista Gustavo Kuerten, um dos envolvidos com a iniciativa, lamentar o ocorrido, foi a vez de, nesta quinta-feira, a Confederação Brasileira de Tênis se pronunciar sobre o caso. Segundo a entidade, o projeto que foi assinado com a duração de um ano “efetivamente teve a duração de um ano” e o que acabou pesando contra o projeto foi que foi percebida a “falta de flexibilidade para mudanças no decorrer da execução do mesmo”.

 

No comunicado, a confederação destaca que outros “projetos com o mesmo mecanismo do projeto Olímpico Rio 2016 não poderão ser feitos, por falta de flexibilidade na adequação da realidade da modalidade tênis”. Para comprovar o caso, a entidade cita como exemplo o sistema de emissão de passagens aos atletas, que foi considerado uma falha na prestação de contas. A entidade observa que “um tenista de alto rendimento, quando perde em alguma das rodadas de um torneio, já decide se vai participar de outro torneio em seguida ou se retorna ao Brasil para treinamento. Ele jamais fica parado esperando um torneio terminar, se ele já se desclassificou naquele torneio. Por isso as passagens não podem ser 100% planejadas com antecedência e sofrem alterações frequentes”.

 

O comunicado divulgado pela CBT ainda nega possibilidade de danos aos cofres públicos, já que, depois de uma avaliação de documentos realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), o órgão emitiu um parecer que conclui que, no projeto, há “falhas sem danos ao erário”, ou seja, sem causar problemas aos cofres públicos.

 

A CBT frisa também que, apesar do término da iniciativa, que foi feita em parceria com o Ministério do Esporte, a entidade tem, em seu planejamento, dois novos projetos para auxiliar os atletas da modalidade: o Medalha Olímpica e o Rede Nacional.

 

Confira, na íntegra, a nota emitida pela CBT:

 

“O Projeto Olímpico Rio 2016 foi assinado com duração de um ano e efetivamente teve a duração de um ano. O que ocorreu foi a verificação na prestação de contas da falta de flexibilidade para mudanças no decorrer da execução do mesmo, pois como foi conferido na prática, os atletas precisaram modificar as suas programações de treinamentos, as competições que participariam, as datas em que viajariam, o tempo que permaneceriam em determinados lugares, os locais onde ficariam hospedados, situações essas que foram comprovadas pela CBT na prestação de contas que já foi realizada. 

 

Projetos com o mesmo mecanismo do Projeto Olímpico Rio 2016 não poderão ser feitos, por falta de flexibilidade na adequação da realidade da modalidade tênis. A CBT possui dois novos projetos, o Medalha Olímpica e o Rede Nacional, já pensados para a realidade operacional do tênis, que dependem exclusivamente de aprovação do Ministério do Esporte;

 

Importante salientar que a CGU, após fiscalização por uma semana na sede da CBT e avaliação de documentos e prestações de contas, emitiu um parecer técnico, intitulado de Relatório de Demandas Especiais, especificamente sobre o Projeto Olímpico Rio 2016. A conclusão do parecer do CGU em relação ao inquérito de investigação conclui que há “FALHAS sem danos ao erário”. A conclusão é clara: não há em nenhum momento dano ao erário, ou seja, aos cofres públicos.

 

Todas as falhas dizem respeito à falta de conhecimento da fiscalização vigente sobre a realidade da modalidade. No caso da emissão de passagens, por exemplo, considerada uma falha na prestação de contas, explicamos: um tenista de alto rendimento, quando perde em alguma das rodadas de um torneio, já decide se vai participar de outro torneio em seguida ou se retorna ao Brasil para treinamento. Ele jamais fica parado esperando um torneio terminar, se ele já se desclassificou naquele torneio. Por isso as passagens não podem ser 100% planejadas com antecedência e sofrem alterações frequentes. Elas dependem diretamente do resultado dos atletas em cada torneio.

 

Em razão de um ex-dirigente da entidade ingressar com uma maldosa denúncia em diferentes órgãos federais (Ministério Público Federal, Ministério do Esporte e Tribunal de Contas da União) e como, por cautela, estes entes públicos possuem o dever de investigar todas as acusações que recebem, foram instaurados procedimentos administrativos. A CBT já prestou todos os esclarecimentos sobre as acusações que foram equivocadamente lançadas e aguarda a conclusão dos procedimentos supra citados;

 

Por fim, a CBT não fornece qualquer espécie de apoio financeiro ao Guga. Aliás, cabe ressaltar que o Guga por inúmeras vezes atendeu aos pedidos da CBT e participou de maneira voluntária (sem cobrança de qualquer contrapartida financeira) de eventos e treinamentos com atletas brasileiros, de todas as idades, inclusive com as equipes que participaram da Copa Davis, não sendo justo que notícias inverídicas ao seu respeito sejam veiculadas na imprensa;

 

Replicamos as importantes considerações de dois importantes profissionais do nosso esporte sobre esta lamentável realidade.

 

‘O término do projeto Rio Tênis 2016 causou-me uma extrema desilusão. Foi a primeira vez na história do Tênis Brasileiro que se formou uma equipe nacional de treinadores e jogadores, juvenis e profissionais, com uma safra excelente de tenistas, num momento oportuno, obtendo resultados imediatos e relevantes. Além disso, a oportunidade de envolver o Larri nesse processo era uma chance de futuramente transformar a realidade do Tênis Brasileiro num novo patamar de conquistas. É decepcionante que um projeto desse porte, elaborado para um período de 5 a10 anos, acabe em menos de um ano. Essa iniciativa representava um momento único, uma oportunidade incrível para o nosso tênis, uma ideia que parecia até um sonho, e que na realidade não passou muito disso. O fim do projeto é um verdadeiro banho de água fria e uma frustração enorme para mim e para quem torce pelo tênis e esporte brasileiro’, lamentou Gustavo Kuerten, integrante do projeto Olímpico Rio 2016.

 

‘Acreditei e apostei num projeto que visava dar tranquilidade e qualidade de treinamentos aos jogadores. Quem esteve comigo e me viu nos torneios sabe o quanto eu me dediquei de corpo e alma para melhorar as condições dos jogadores que trabalharam comigo e em minha academia. Cumpri a minha missão para qual fui chamado. O projeto olímpico encerrou um ciclo’, falou Larri Passos, também integrante do projeto.”

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado