A equipe feminina do revezamento 4x100m esteve perto de conquistar uma medalha no Campeonato Mundial de atletismo, mas uma falha na última passagem de bastão acabou com as chances nacionais. O erro ainda expôs problemas de relacionamento entre algumas das integrantes do time.
No retorno ao País, após o fracasso no campeonato disputado em Moscou, as atletas divergiram sobre as causas que levaram ao erro, ocorrido quando o Brasil ocupava a segunda colocação da final. Vanda Gomes, atleta que fecharia a prova após receber o bastão de Franciela Krasucki, reclamou da falta de treinos no período de preparação, tese rebatida pelas outras integrantes do time.
“Já conversamos eu, a Evelyn (dos Santos) e a Fran e a gente está mais unida e com força para continuar treinando e representar o Brasil da melhor forma possível”, afirmou Ana Cláudia Lemos, que elogiou todas as integrantes do time, menos Vanda. “Um time a gente considera quando é unido. Ela não é unida com a gente. Então, não tenho o que falar dela. Não vou falar que somos melhores amigas, eu e Franciela. Mas temos respeito uma pela outra. Na hora do time, a gente é um time”, completou a velocista.
Os problemas de relacionamento entre as integrantes do 4x100m feminino ficou evidente logo após prova no Mundial de Moscou. Inconformada, Ana Cláudia Lemos afirmou ser inadmissível o erro ocorrer na final da competição, o que foi tomado por Vanda Gomes como um ataque a ela. Nas arquibancadas do estádio na capital russa, Rosângela dos Santos, que disputou a semifinal, chorou com a desclassificação do Brasil.
Já Vanda deu declarações que geraram polêmica na relação com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). A velocista afirmou que passou 40 dias comendo e dormindo mal, mas nesta terça-feira relativizou as críticas ao período de preparação. As reclamações de falta de treino, no entanto, foram mantidas. E rebatidas pelas companheiras.
“Eu gostaria de ter treinado mais, não sei por que treinamos pouco. Fiz três treinos com a Fran na Alemanha e um na última sexta-feira, em que ela só fez uma passagem para mim. A questão não é mágoa. Mas quando acontece algum problema com as outras, eu e a Fran absorvemos as coisas, levamos o problema para o grupo. A gente nunca apontou o dedo para nenhuma delas. Apontaram para mim, falaram que é inadmissível o erro, quem disse que o erro é inadmissível não é humano”, reclamou Vanda.
Franciela Krasucki tentou adotar tom mais político em suas declarações, mas não escondeu a discordância dos argumentos apresentados pela companheira. Com Rosângela no lugar de Vanda na equipe, o Brasil quebrou o recorde sul-americano do 4x100m livre com a marca de 42s29 na semifinal, mas a equipe teve que ser mudada porque a atleta carioca sofre com fascite plantar nos dois pés e poderia não aguentar a disputa da final.
“A gente treinou um pouco menos, mas dizer que faltou treino acho que não pode. Se tivesse faltado, a gente não teria batido o recorde sul-americano. As duas primeiras passagens também foram muito boas, então não tem como falar que foi só falta de treino. A gente teve um azar do bastão cair, coisa que a gente nunca cometeu”, afirmou.
Outra polêmica entre as atletas foi gerada por uma publicação de Rosângela dos Santos em sua página no Facebook. A atleta, que voltou ao País antes das outras integrantes do 4x100m, disse ter ficado chateada com a perda da medalha e pediu que a companheira assumisse a falha na final.
“O que não pode é a pessoa não ter humildade para dizer: ‘eu errei’ e ou simplesmente pôr a culpa em quem não tem nada a ver pelos erros. É mais fácil eu sei, mas assumir a culpa chama-se caráter”, diz o texto publicado por Rosângela.
Vanda se defendeu, citando um problema na formação do time do 4x100m no Mundial de Daegu-2011. Segundo ela, problemas no entrosamento entre Ana Cláudia e Rosângela no último treino fizeram com que a ordem das atletas na prova tivesse que ser modificada às pressas, o que teria prejudicado o desempenho nacional.
“Em Daegu era para termos conquistado medalha também. A Ucrânia foi terceiro lugar lá e ganhamos dela no Mundial Militar aqui no Rio de Janeiro um mês antes. Mas como pelo jeito agora me pegaram para Cristo, reconheço meu erro. Só que não é só meu. E não é só da Fran, é do grupo. Essa coisas não podem mais acontecer”.