A definição sobre o direito do velocista Oscar Pistorius, acusado de assassinar a namorada Reeva Steenkamp, pagar fiança ainda será estendida por mais um dia. A manhã desta quarta-feira foi marcada por uma batalha entre o advogado do atleta paralímpico e o promotor do caso.
Uma nova audiência foi marcada para as seis horas da manhã pelo horário de Brasília. Nesta quarta, foram ouvidos o chefe da investigação, Hilton Botha, policiais e fiscais.
O advogado de defesa de Pistorius, Barry Roux, conseguiu rebater e apresentar justificativas para as acusações. Uma delas foi feita por uma das testemunhas do caso, que afirmou que a polícia encontrou testosterona e agulhas no quarto do velocista.
A explicação do advogado foi de que o conteúdo era usado para fins medicinais e que Pistorius possuía autorização para tanto. “Trata-se de um remédio à base de plantas, ele pode usá-lo e já havia utilizado antes”, justificou Roux.
Outra testemunha, citada pelo promotor Gerrie Nel, garantiu ter ouvido uma discussão violenta na madrugada do crime, o que contradiz a afirmação do atleta, que disse ter passado uma noite tranquila com a namorada. Mas para a defesa, a distância da 600m, onde estava a testemunha, não é possível afirmar que os gritos partiram da casa de Pistorius.
Durante boa parte da sessão, Barry Roux apostou em argumentar contra Hilton Botha, pois segundo a defesa, o investigador agiu de maneira incorreta, inclusive na preservação da cena onde ocorreu o episódio.
Botha acabou por admitir que não verificou se havia ligações para assistência médica do celular de Pistorius e que não encontrou nenhuma prova que deixasse a versão de Pistorius inconsistente.
Outra questão abordada no tribunal em Pretório foi o uso ou não das próteses no momento dos disparos. A defesa alega que Oscar Pistorius se sentiu inseguro, pois estava sem as próteses, o que motivou o atleta a atirar. Porém, a promotoria afirma que o ângulo dos disparos indica que foram de cima para baixo. A questão ainda não foi esclarecida.
Em meio à tensão, um momento ainda provocou risadas de alguns dos presentes no tribunal. O promotor Gerrie Nel questionou Hilton Botha sobre sua opinião se Pistorius representava um “risco de fuga”, haja vista que se trata de uma figura pública. O investigador respondeu que o atleta poderia sair correndo.