Transformar espaços, revelar profissionais e apresentar novas formas de morar são compromissos que acompanham a CASACOR Brasília há mais de três décadas. Em 2026, ao chegar à 34ª edição, a mostra encerra mais um capítulo dessa trajetória tendo como cenário a histórica Casa do Candango. À frente do projeto há mais de duas décadas, as franqueadas Moema Leão, Eliane Martins e Sheila Podestá ajudaram a consolidar o evento como uma vitrine da arquitetura, do design e do paisagismo da capital.
No último episódio do JBr Talks na CASACOR Brasília 2026, Moema Leão e Eliane Martins relembraram os caminhos que as levaram à gestão da mostra e falaram sobre os bastidores de um evento que, apesar da experiência acumulada, exige recomeçar a cada ano. Para Eliane, justamente aí está parte do desafio.
“Eu falo que CASACOR é um eterno aprendizado para a gente. Não tem um ano em que a gente fala: ‘agora dominamos, agora sabemos fazer’. Todo ano é um aprendizado. A gente sempre tem que estar se renovando”, afirmou. Segundo ela, mesmo após mais de duas décadas à frente do projeto, o trabalho continua exigindo atenção às mudanças do mercado e do comportamento do público.
De profissional convidada à gestão da mostra
A relação de Eliane Martins com a CASACOR começou antes de ela assumir a organização do evento. Em 1994, ainda como profissional convidada, participou da mostra com um projeto para o quarto do casal. Na época, estava chegando a Brasília e enxergou no evento uma oportunidade de apresentar seu trabalho e se aproximar do mercado local.
“Eu posso falar de CASACOR de todos os lados, porque já fui lojista, profissional, arquiteta, fornecedora e empresária”, contou. Depois de três participações como arquiteta, a trajetória se aproximou cada vez mais da gestão. Primeiro, veio o convite para organizar a mostra em Goiás; posteriormente, a atuação se estendeu também a Brasília.
Moema Leão, por sua vez, construiu uma história ligada à decoração muito antes de integrar a administração da mostra. Ainda jovem, lembra que já tinha o hábito de reorganizar objetos e vasos dentro de casa. Anos mais tarde, começou a trabalhar com antiguidades e abriu a Casa Viva, na 111 Sul, onde também passou a desenvolver trabalhos de decoração.
A aproximação definitiva com a CASACOR ocorreu também por meio do trabalho social desenvolvido por Moema. A partir daí, passou a integrar o projeto ao lado das demais gestoras. Em 2001, a nova fase da administração se consolidou.
Uma vitrine para profissionais e marcas
Ao longo dos anos, a mostra também se firmou como uma plataforma de projeção para arquitetos, designers, paisagistas e empresas. Para Eliane, uma das forças da CASACOR está justamente na possibilidade de apresentar produtos inseridos em ambientes completos, permitindo ao visitante enxergar possibilidades que dificilmente seriam percebidas da mesma maneira em uma loja.
“É muito diferente você chegar em uma loja e ver uma mesa e ver essa mesa em um ambiente, num contexto, com o jardim bonito. O profissional dá valor ao produto, dá um novo olhar”, explicou.
Essa exposição, segundo as gestoras, também pode representar uma mudança na trajetória de quem participa da mostra. Além da visibilidade junto ao público, os profissionais passam a ampliar relações com fornecedores, empresas e outros nomes do setor.
“A partir do momento que ele faz a CASACOR, ele tem outro posicionamento no mercado. Se for desconhecido, começa a entrar no meio das lojas, ser chamado para eventos e ter uma relação melhor com as empresas. Isso é um crescimento”, avaliou Eliane.
Manter essa relevância, porém, tornou-se mais complexo. Se antes a realização de eventos era suficiente para criar diferenciação, hoje a quantidade de iniciativas disputando a atenção do público exige novas estratégias. “Você tem que inovar em tudo”, resumiu Eliane.
Arquitetura que também olha para o social
A história da CASACOR Brasília também passou a incorporar ações sociais. Entre elas está o tradicional bingo solidário realizado em benefício da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Na edição mais recente citada pelas gestoras, a iniciativa reuniu cerca de 350 mulheres de diferentes áreas em apoio à causa.
Em 2026, a própria escolha da Casa do Candango como sede aproximou ainda mais a mostra desse caráter social. Além das intervenções realizadas no edifício, a organização destacou o apoio à instituição, que desenvolve trabalhos voltados a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Para Moema e Eliane, a ocupação também ajudou a devolver visibilidade ao espaço e ao trabalho desenvolvido no local.
A edição deste ano ainda ampliou o diálogo entre arquitetura e arte. Com o tema “Mente e Coração”, os ambientes incorporaram diferentes obras e galerias, propondo ao visitante não apenas observar os projetos, mas desenvolver novos olhares sobre aquilo que ocupa uma casa.
O desafio de continuar surpreendendo
Depois de 34 anos de história, a missão permanece semelhante àquela que ajudou a consolidar a mostra: fazer com que o público atravesse a porta e encontre algo que ainda seja capaz de surpreender.
“Nosso maior objetivo é que a pessoa chegue aqui, se surpreenda, tenha um passeio maravilhoso e saia inspirada para a casa dela. É mostrar para as pessoas a importância de morar bem”, afirmou Eliane.
E a engrenagem movimentada pela mostra ultrapassa os ambientes expostos. Somente entre as equipes de recepção, a edição de 2026 contou com mais de 120 profissionais, além de trabalhadores responsáveis por limpeza, estacionamento, transporte, montagem e outros serviços envolvidos na realização de um evento que se estende por cerca de dois meses.
Encerrada mais uma edição, o trabalho para a próxima já começa. A expectativa é que a CASACOR Brasília retorne à Casa do Candango em 2027. E, para quem passou décadas tentando antecipar tendências, a preocupação continua sendo encontrar algo novo.
“Nós já estamos estudando para surpreender o pessoal que vai ver a CASACOR de 2027. Já estamos pensando, porque precisa. A pessoa tem que ter vontade de vir. Então, a gente tem que estar sempre inovando”, adiantou Moema.
Para as gestoras, é justamente a chegada do público que faz o esforço de cada edição recomeçar. “Quando a gente inaugura e tem gente, esquece todos os problemas. Dá uma zerada, dá um start: vamos começar de novo”, resumiu Eliane.