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Futebol

Zico dispara contra CBF e revela detalhes da final de 1998

Arquivo Geral

26/06/2007 0h00

Uma das histórias menos explicadas do futebol brasileiro ganhou mais uma página na noite desta segunda-feira. Participando de um programa da emissora Sportv, Zico culpou a CBF e responsabilizou o então médico da seleção, Lídio Toledo, pela escalação do atacante Ronaldo na final da Copa do Mundo de 1998 entre Brasil e França.

“Só cabia ao médico vetar a escalação do Ronaldo. A culpa também foi da CBF, porque não tinha ninguém para decidir. Essa não era uma situação para ser definida pela comissão técnica”, disparou o atual técnico do Fenerbahce, que na época era coordenador-técnico.

Na opinião do treinador, a participação do Fenômeno naquela decisão mostrou-se equivocada durante a partida. “Todos estavam preocupados com ele. Vinham perguntar se ele corria risco de morrer”, explicou. Para ele, se o fato tivesse ocorrido na véspera da final, o resultado da decisão poderia ser bem diferente. “Se tivesse acontecido um dia antes, não teria problema. Mas no dia, não tinha outra decisão. Cabia ao médico decidir. Só a ele”, apontou.

Zico voltou a afirmar que não presenciou o momento que Ronaldo teve um ataque convulsivo na concentração brasileira, horas antes da decisão. “Depois que soube, fui ao quarto do Ronaldo. Ele estava sentado com o olho arregalado, perguntei se estava tudo bem, ele ficou meio assim e deitou. Depois, na hora do jantar, às cinco da tarde, estava o Ronaldo e ele tentou fazer um aquecimento de mexer o braço e disse: “Não sei o que aconteceu, fui dormir e parece que levei uma surra”. Depois a comissão se reuniu, vetamos ele, que foi para os exames”, comentou.

O então coordenador-técnico revelou que, após o retorno de Ronaldo dos exames em uma clínica de Paris, a definição sobre a participação do atleta foi rápida. “Quando cheguei no vestiário, estava o Ronaldo de pé e disse: “Lídio, eu joguei a Copa inteira e vou jogar”. Aí o Lídio perguntou: “Você está bem?”. Ele disse sim. O Zagallo foi e perguntou: “Você está bem?”. Ele disse que sim e foi lá jogar. Foi vetado às 17 horas e liberado às 20 horas”, relembrou.

Ao mesmo tempo, o treinador aproveitou para disparar contra o comando da CBF ao recordar do corte de Romário, que acusou Zico de ser o responsável. “Fui acusado de que cortei jogador, de uma série de coisas e levei isso. Fiquei sozinho, ninguém me defendeu de nenhum lado. São pessoas que te jogam às favas. Eu como técnico cortaria o jogador, e nunca deixaria para o auxiliar. Na seleção brasileira, não. Quem cortava era o Zico. Eu não fui (o responsável pela decisão), mas segurei a peteca, pois se criou a rixa e eu assumi”, disparou.

Posteriormente, Zico e Zagallo foram alvo de uma dura crítica de Romário, que colocou a caricatura da dupla nas portas dos banheiros de um restaurante que inaugurou no Rio de Janeiro. Magoado, o atual técnico do Fenerbahce repetiu também a mesma promessa feita por Emerson Leão. “Enquanto ele (o presidente Ricardo Teixeira) estiver lá, não trabalho mais na seleção. Com eles, não dá”, afirmou Zico.

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