“Sou o representante que os torcedores do Boca querem”, falou Tevez em determinado momento da entrevista à emissora América, da TV argentina. O jogador, que não dava uma entrevista face a face já há alguns meses, foi a um programa de auditório de Buenos Aires para falar sobre seu retorno e acabou deixando no ar seu desejo de, algum dia, ser presidente do Boca Juniors.
Após abrir mão de mais um ano de contrato com a Juventus, e cifras milionárias não só do clube italiano como do espanhol Atlético de Madri, o atacante argentino voltou à terra natal e ao clube que o revelou por vontade própria. Oficializado há pouco mais de um mês, Tevez vive agora com status de ‘popstar’ na capital argentina, convivendo com fotos e o assédio dos fãs, mas garante não ter perdido a humildade.
“Quando eu era criança não tive autógrafo do meu ídolo e ficava chorando em casa. Agora sou ídolo de muitos e como vou negar isso a eles? O contato com eles é normal para mim. Voltei pela minha família, pela minha mãe, minhas filhas e meus irmãos. Gosto de viver aqui na Argentina, e tenho o sonho de ser presidente do Boca. Mas para isso preciso me preparar”, declarou o atual camisa 10 do time.
Perguntado sobre a exposição da qual abriu mão ao sair da Europa, Tevez afirma não ter feito nenhum sacrífico ao voltar ao Boca. Para ele, o que vale é a identificação com o clube, a proximidade da família e a vida pacata, apesar do cenário de crise econômica, que pôde encontrar na capital argentina.
“Sacrifício era o que fazia meu pai e todos os trabalhadores que acordam cinco da manhã para ir para o trabalho e voltam as sete para casa. Eu sou pago para fazer o que gosto, que é jogar futebol. Mas creio que de 60 a 70% dos trabalhadores vão falar que não gostam do que fazem”, ponderou. “Eu quero que lembrem de mim pelo meu jogo, e não pela minha humildade, porque isso foram meus pais que me ensinaram”, completou.
A volta ao Boca, coincidentemente, culminou com o retorno à seleção argentina, camisa que Tevez não vestia desde 2011. Foi justamente durante a Copa América, na concentração da seleção de Tata Martino, que o atacante se reuniu com o presidente Daniel Angelici para selar o acordo. “Antes chegava aos treinos e não me animava. Agora sei onde estou, chego e treino pelo Boca. Sei que sou representante do torcedor. Com o Boca estamos concentrados durante todo o tempo”, garantiu.
Golfe e prisão na Inglaterra
Após ser campeão brasileiro em 2005 e compor o time galáctico que formou o elenco do Corinthians naquela temporada, ao lado do compatriota Mascherano, e de nomes como os meias Carlos Alberto e Roger, Tevez teve sua primeira experiência na Europa atuando pelo West Ham, mas encontrou dificuldades e se envolveu em polêmicas na Inglaterra.
No ínterim de um ano que esteve em Londres, Tevez passou quatro meses sem ser sequer relacionado. E foi nesse momento difícil que um outro esporte praticado na grama surgiu como passatempo e cristalizou-se como ‘solução’. “Jogar golfe me tranquiliza muito. Com o tempo, comecei a me conhecer mais interiormente e controlar minhas emoções. Isso com certeza me ajudou muito”, admitiu.
Além da prática do golfe, Tevez se envolveu em uma polêmica com relação às questões de trânsito e acabou preso. O jogador, após ser notificado duas vezes pela polícia por pilotar em velocidade acima do permitido, seguiu dirigindo sem carteira de habilitação e, em um dia que jogava golfe, foi preso pelos policiais. À época, Tevez foi obrigado a pagar fiança de cerca de R$ 4,4 mil para ser liberado. “Fui preso e meu advogado falou para eu não dizer nada. Fui obrigado a limpar alguns maquinários e até a usar jaleco”, contou em entrevista recente.