O cargo de treinador de futebol é, de longe, um dos mais instáveis no meio esportivo – principalmente no Brasil. Uma derrota contra um rival tradicional, por exemplo, pode por fim ao trabalho de toda uma temporada. Em Brasília, o cenário não é diferente, sobretudo no Brasiliense, onde o histórico de treinadores que caíram após séries sem vitórias é respeitável.
Para citar um exemplo recente no Jacaré, o veterano Reinaldo Gueldini foi chamados às pressas no fim do ano passado para comandar o time na última rodada da primeira fase da Série C com o objetivo de classificar a equipe à fase mata-mata. Ele não conseguiu levar o time adiante, como viu o clube, pela primeira vez na história, cair para a Série D.
Recebendo um voto de confiança, Gueldini esteve no comando do time no início da disputa do Candangão em 2014. Entretanto, uma série de empates, sem sequer que o time tenha perdido, foi suficiente para derrubá-lo.
O próprio Marcos Soares, atual comandante do Brasiliense, sabe bem o que é isso. Ele começou a temporada no comando do Brasília. Dono de uma campanha invicta, ele viu o posto ser tomado por Luís Carlos Carioca, que seguiu no comando do time até o fim da temporada, tendo conquistado o título inédito da Copa Verde e o vice-campeonato do Candango.
O comandante do Jacaré, porém, afirma que não se preocupa com a possibilidade de ser demitido depois de uma série sem vitórias. Segundo ele, este tipo de pensamento pode até atrapalhá-lo no rendimento à beira do gramado.
“Tudo é sempre possível, mas temor eu não sinto. Se eu ficar preocupado se o Luiz Estevão vai me demitir, não consigo vir e desempenhar meu trabalho”, garante o treinador.
Concentrado na disputa da Série D – já classificado, o time de Taguatinga lidera o Grupo 5 com 13 pontos -, Marcos Soares demonstra foco em seus objetivos.
“Minha preocupação é com o Villa Nova-MG, em fazer um bom jogo e começarmos bem a fase de mata-matas”, reforça o treinador, que acumula quatro empates pela competição – três deles atuando como visitante.
Técnico descarta relaxamento
Nos três primeiros jogos da Série D, o Brasiliense deu a impressão de que massacraria todos os adversários. Foram três vitórias, com nada menos que nove gols marcados e apenas um sofrido. O problema passou a vir depois, quando o time, apesar de criar chances, não conseguiu balançar as redes e amargou quatro empates seguidos. A vaga na segunda fase veio, mas não da forma esperada.
Na equipe, o discurso é que falta o último toque para colocar a bola na rede e as vitórias voltarem à conta do time.
“A gente tem que voltar a marcar gols. Temos criado as oportunidades, quatro ou cinco por jogo, que foram claras, mas está faltando tranquilidade, aquele toque refinado para mudarmos o placar das partidas”, aponta o técnico Marcos Soares.
Ele ainda afirma que é complicado falar em relaxamento por parte dos jogadores, elogiando, inclusive, a postura de seus atletas durante os treinamentos.
“É difícil avaliar se houve, de fato, um relaxamento. Nos treinos, pelo menos, não. As atividades continuam sendo muito intensas, muito fortes e muito boas. No jogo, talvez possa ter acontecido de a gente relaxar, achar que ia ganhar a qualquer momento e tomamos dois sustos, como foi nos últimos dois jogos, mas nos serviu de lição”, conclui.