Pouco menos de uma semana após a declaração do cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, acordado no último dia 15 de fevereiro, a bola poderá voltar a rolar no Leste Europeu nesta sexta-feira. Depois da pausa do inverno e do confronto civil no leste da Ucrânia, que matou cerca de 5.800 pessoas em dez meses de conflito, o campeonato nacional voltará a ativa, mas o atual campeão Shakhtar Donetsk seguirá jogando fora de seus domínios.
Uma das cidades mais afetadas pela guerra civil, Donetsk foi sitiada há meses e teve grande parte de sua estrutura destruída. A fachada do estádio do Shakhtar, inclusive, foi parcialmente depredada. Frente às crescentes ameaças, o clube foi obrigado a mudar sua sede para Lviv, cidade próxima, onde tem mandado seus jogos nos últimos meses.
Na última quinta-feira, inclusive, a retirada de armas pesadas (como canhões e mísseis terrestres) começou a ser feita no leste da Ucrânia, região que abrange Donetsk. Após o presidente francês François Hollande e a chanceler alemã Angela Merkel mediarem a trégua, a Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) se encarregou de supervisionar a retirada das armas.
Apesar de o torneio recomeçar nesta sexta, com a partida entre Chernomorets e Mariupol, o Shakhtar só volta a campo no sábado, quando encara o Vorksla, em Lviv. Depois de fazer uma longa pré-temporada no Brasil, disputando uma série de amistosos no mês de janeiro, os ucranianos tentarão defender o título nacional. O atacante Taison, um dos que compõe o extenso grupo de brasileiros do elenco, comentou sobre o fato de jogar longe da torcida.
“Não é apenas com o Vorksla, mas com qualquer outra equipe. Em geral, a gente sempre quer fazer os jogos dentro de casa, no nosso próprio estádio. Mas, por enquanto, não estamos podendo jogar na Donbass Arena. Estamos em Lviv, e não temos o número habitual de torcedores nos apoiando”, ponderou.