No clássico paulista entre Corinthians e Santos, o protagonista da noite de quinta-feira foi o árbitro Wilson Luiz Seneme. Na vitória do Peixe por 3 x 0, Seneme distribuiu dez cartões amarelos, mas chamou a atenção pelas expulsões do técnico Émerson Leão e do meia Magrão, ambos corintianos, mais o santista Zé Roberto, esse em um lance peculiar.
Após marcar o terceiro gol do Santos, aos 35 minutos do segundo tempo, o meia correu para comemorar no setor das arquibancadas onde estava a torcida do Corinthians, batendo a mão no peito e mostrando o distintivo do time da Vila Belmiro. Seneme entendeu a atitude como provocação e aplicou o segundo cartão amarelo ao jogador, expulsando-o do jogo.
Em entrevista à Rádio Jovem Pan, o árbitro criticou a atitude de Zé Roberto e disse que era sua responsabilidade zelar pela segurança no Pacaembu. “Ele já tinha cartão amarelo e por isso foi expulso. Tudo o que a gente pode fazer para evitar brigas dentro de campo é necessário. O momento mais alegre do futebol é o gol e não tem que haver provocação em um momento desses”, afirmou.
Para o árbitro, falta orientação ao santista para não tomar atitudes erradas. “Seria importante falar para o Zé Roberto que a cultura da torcida na Europa é diferente. A educação dos países do primeiro mundo é diferente. Aqui tem que evitar os tumultos. Ontem eu percebi que houve um confronto nas sociais antes do início do jogo. Esse clássico é de muita rivalidade e a atitude dele poderia provocar violência no estádio”, ponderou.
Seneme aproveita ainda para aconselhar o jogador. Segundo o árbitro, o santista vem exagerando nas faltas desde que retornou ao futebol brasileiro após ficar dez anos na Europa. “A postura do Zé Roberto também está mudando no futebol brasileiro. Ele já entra de maneira mais violenta, parece ter reaprendido rápido o estilo de jogo brasileiro”, completou.
O incidente comentado por Seneme aconteceu pouco antes dos dois últimos gols do Peixe, no setor das numeradas, teoricamente misto. Um torcedor do Santos acabou sendo identificado e ameaçado por corintianos, mas a polícia interveio a tempo para evitar agressões no local com o ingresso mais caro do Pacaembu.