Todos os dias, Muricy Ramalho passa pelos vestiários e dá o mesmo lembrete ao menino de 17 anos que está mostrando competência como líbero da zaga do São Paulo: “Você tem que jogar como Breno. Se pensar que é outro jogador, estamos perdidos”.
A mensagem tem sido assimilada. Os resultados e elogios estão aparecendo, mas o carinho com o mestre jamais será esquecido. “O estilo de jogo é diferente, mas eu gostava muito de ver o Lugano jogar”, conta Breno, que, ao contrário do ídolo e amigo uruguaio, é bastante técnico e sabe o que fazer quando está com a bola nos pés.
Apesar de ter subido oficialmente para o time principal em 2007, Breno fez, em 2006, muitos treinos no CT, onde teve contato direto com Lugano, que o acolheu e orientou. “Gosto da pessoa dele. Ele conversou bastante comigo naquela época e me deu muitos conselhos. Foi um grande aprendizado”, conta.
Desde que Lugano se transferiu para Fenerbahce, logo após o vice-campeonato da Libertadores 2006, Breno não conversou mais com o uruguaio. Porém, depois sua estréia no time principal no clássico contra o Palmeiras, recebeu os parabéns. “Ele mandou um e-mail aqui para o São Paulo, dizendo que não podia ser verdade que eu tinha 17 anos sendo tão seguro”, revelou o juvenil, orgulhoso.
Nesta quinta-feira, antes de enfrentar o Figueirense, novamente o jovem zagueiro vai ouvir o técnico dizer: “Não jogue como o Lugano ou qualquer outro jogador. Seja você mesmo”. Sem medo de sofrer de um caso de dupla personalidade, o menino faz piada sobre o assunto, mesmo que timidamente.
“O Breno acha que o Breno é um excelente zagueiro e vai procurar dar chutão em alguns momentos e sair jogando na hora certa”, diverte-se o garoto. A torcida agradece e continua com esperanças de estar presenciando um surgimento de mais um grande zagueiro.