O Gre-Nal do último domingo, disputado no estádio Beira-Rio, que coroou o Internacional como pentacampeão consecutivo, pode trazer consequências sérias ao Grêmio. Vice-campeão do Estadual, o Tricolor gaúcho corre risco de ser punido por conta da ação de cerca de 600 torcedores que, ao final do jogo, quebraram cerca de 200 cadeiras no estádio. O fato foi relatado pelo árbitro Leandro Vuaden na súmula da partida e pode acarretar em sanção aos gremistas.
O prejuízo, estimado pelo Colorado em R$ 100 mil, deve ser custeado pelo Grêmio, já que antes do confronto ficou acordado que qualquer problema na área de visitantes seria de responsabilidade do Tricolor. No entanto, a punição pelo ato de vandalismo pode ir além da questão financeira. Corre-se o risco do Grêmio ser punido pela Federação, sendo obrigado a atuar por dez jogos sem a presença da torcida na Arena.
Na súmula, Vuaden relatou, além da quebra das cadeiras, um xingamento de um membro da comissão técnica gremista que sugeriu, em seu protesto, uma manipulação de resultados por parte do árbitro. “Após o apito final, torcedores da equipe Grêmio FBPA arrancaram assentos e atiraram em direção à torcida do SC Internacional”, escreveu.
Ainda no domingo, em meio ao ato, dois torcedores gremistas foram presos e encaminhados ao posto do Juizado Especial Criminal montado no estádio. Especula-se que a ação tenha partido de torcedores organizados que, segundo a diretoria do clube, correspondiam a menos da metade dos presentes – das 1900 entradas destinadas aos visitantes, cerca de 600 estavam de posse dos organizados.
O quebra-quebra no Beira-Rio contrariou a lógica dos últimos clássicos gaúchos, que vinham inovando pelo setor de torcida mista. Se a convivência entre gremistas e colorados no setor misto foi pacífica, com a presença de muitas famílias e amigos – já que cada torcedor do Inter podia convidar um gremista para ir ao jogo -, a área dos visitantes ficou depredada após a confirmação da derrota do Tricolor e a extensão do jejum.