O Santos desembarcou nesta quinta-feira à noite em Guarulhos após o empate por 2 x 2 contra o Caracas, em jogo válido pelas oitavas-de-final da Taça Libertadores, mas o técnico Wanderley Luxemburgo pouco falou sobre o duelo na Venezuela. O foco estava nas declarações do lateral Pedro e do atacante Rodrigo Tiuí, que deixaram o clube acusando o treinador de obrigá-los a procurar o agente-Fifa Ângelo Pimentel caso quisessem renovar os seus contratos.
Luxemburgo negou a acusação com veemência. “Eu orientei o jogador (Tiuí) dizendo que esse rapaz (Pimentel) poderia ser bom para ele. As bases do novo contrato já estavam acertadas e tudo mudou quando o Teo (Teodoro Fonseca, empresário do lateral Pedro) apareceu para negociar pelo Tiuí e quis um outro acordo”, afirmou.
Segundo o treinador, o empresário Teodoro Fonseca é que foi o responsável pelas saídas dos dois atletas. Pedro foi o primeiro a deixar a Vila Belmiro, após uma atitude descrita por Luxemburgo como “mal-intencionada”. “Ele tinha acertado com o Santos um valor, mas o procurador veio com uma suposta proposta de fora do país e renegociou o valor com o Norberto (Moreira da Silva, vice-presidente do clube), aproveitando também a seqüência de dez jogos bons que o atleta havia feito. O problema era do Santos, mas eu conversei com o Marcelo (Teixeira, presidente) e ele concordou em dispensar o atleta”, contou.
Apesar de se tratar de assunto fora das quatro linhas, Luxemburgo não acredita que tenha cometido ingerência. “A minha vida é o futebol e eu sinto que os empresários têm muita força hoje. Fico chateado pela ingratidão. Ninguém queria o Pedro porque ele tem um histórico complicado, e eu abri as portas para ele novamente, mas o Teo mudou tudo e eu perdi a confiança no atleta”, disse.
Luxemburgo também diz ter certeza que Pedro influenciou na conduta de Tiuí. “Não posso ter jogador dentro do Santos fazendo a cabeça de outro contra o clube. O Tiuí e o seu procurador não fizeram nada de errado, mas, quando ocorreu o problema com o Pedro, eu reuni os jogadores, expliquei a situação, disse que o Pedro só voltaria se retroagisse e que eu não trabalharia mais com atletas do Teo”, lembrou.
“Tenho carinho pelo Tiuí. Ele não aceitou minha indicação (do agente Ângelo Pimentel), tudo bem. Mas veio um empresário com uma situação totalmente inusitada e os clubes não podem ser reféns dos empresários. O Santos é muito maior que o Pedro, que o Tiuí e que o Luxemburgo”, acrescentou.
O comandante alvinegro voltou a dizer que não recebe dinheiro de empresários e que tudo que fez foi em consenso com a diretoria do clube. “Não sou moleque. Minha vida é muito clara e nunca foi provado nada contra mim. Eu sempre vou privilegiar o Santos e por isso eu não trabalho com mais ninguém que tenha o Teo como empresário, apenas o Cléber Santana e o Adaílton”, disse.
Tanto Cléber quanto Adaílton já eram clientes de Teodoro Fonseca quando chegaram à Vila Belmiro. “Eu conversei com os dois, disse o que eu pensava sobre o Teo, mas confio na hombridade deles e os respeito profissionalmente. Deixo sempre tudo muito claro para os meus jogadores”, afirmou.