O Cruzeiro tinha em campo nove estreantes no clássico (Gatti, Mariano, Léo Fortunato, Fernandinho, Renan, Ramires, Charles, Leandro Domingues e Roni), mas parecia estar mais habituado a um jogo de suma importância. Em dia de Araújo, a Raposa venceu o duelo contra o rival Atlético-MG por 4 x 2, disputado na tarde deste domingo, no Mineirão, pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro.
A Raposa começou atuando de forma inédita neste Brasileirão, marcando a saída de bola e levando perigo nos contra-ataques. Foi desta forma que Araújo marcou o primeiro, aos 15 minutos. O nervosismo estranhamento era todo alvinegro e, aos 45, o camisa sete voltou a encontrar o caminho do gol.
Com 2 x 0 no placar, o Cruzeiro voltou a sentir a tensão de uma provável virada no Mineirão, algo que ocorrera nos dois últimos jogos, diante de Juventude e Paraná. Em dois lances, Coelho provou seu valor. Primeiro cobrou escanteio para Lima marcar. Em seguida, cruzou na medida para Éder Luís. A igualdade levava para uma virada alvinegra, que seria possível se Marcinho não perdesse um pênalti. Abatido, o Galo viu Guilherme e Ramires definirem o jogo.
A vitória – a primeira no Mineirão – faz o Cruzeiro subir degraus na tabela. A equipe é a nona colocada, com dez pontos ganhos. Foi o segundo êxito consecutivo dos celestes, que armaram pela primeira uma equipe quase idêntica a utilizada na última partida. Na próxima rodada, no sábado, o adversário para tentar engatar de vez será o Vasco, novamente no Gigante da Pampulha.
O Galo tentará não sofrer do mesmo efeito do rival, que caiu em desgraça após perder o clássico na fase de classificação do Estadual. A equipe volta a conhecer uma derrota após quatro jogos e fica na sétima posição, estacionada nos 11 pontos. O próximo rival, também no sábado, será o Internacional, no Beira-Rio.
O Cruzeiro estava disposto a mudar o retrospecto diante do rival e a partida começou quente no Mineirão. Marcando a saída de bola – tentando assim anular a principal arma alvinegra: o conjunto -, a Raposa levava vantagem nos desarmes e aparecia com perigo nos contra-ataques. Aos 12, Araújo roubou a bola na ala esquerda, tabelou com Roni e apareceu sozinho na área. O atacante chutou, mas Diego conseguiu salvar de forma sensacional.
Era um sinal claro de que os celestes estavam melhores em campo, mas a zaga atleticana parece ter ignorado. Aos 15, veio o golpe fatal. Leandro Domingues aproveitou falha de Bilu e recuperou a bola, ligando de primeira Roni. O atacante saiu no encalço de Lima, ganhou na corrida e lançou Araújo. Coelho se perdeu na cobertura e o camisa sete saiu livre na frente de Diego para marcar.
O gol não parece ter alertado os atleticanos, que continuavam expostos exacerbadamente. Quatro minutos depois, outra chance. Ramires encontrou Araújo na área, o atacante girou e tocou para Roni. Bilu conseguiu cortar, mas o rebote caiu nos pés de Leandro Domingues, que finalizou fraco.
As coisas começaram a entrar no eixo para o Galo aos 22, quando a equipe teve, efetivamente, sua primeira grande chance. Coelho foi ao ataque, passou pela marcação e tocou rasteiro para a área. Rafael Miranda caiu na hora de completar o lance, mas a bola chegou com efeito e exigiu boa defesa de Gatti.
O Atlético conseguiu segurar o ímpeto do rival, mas ainda estava longe de oferecer qualquer perigo à vantagem celeste. Roni e Araújo ganharam uma marcação mais pesada, enquanto Zetti pediu maior agilidade no toque de bola alvinegro. O resultado foi pouco. Aos 32, Marinho arriscou um arremate de longe e a bola passou por cima da meta de Gatti. O toque de ambas as equipes estava prejudicado. Sete minutos depois foi a vez de Ramires tentar uma ligação direta do meio-campo e mandar nas mãos de Diego.
O nível do jogo caiu. O ímpeto cruzeirense já estava contido e restava ao Galo acertar o pé no ataque. Quase conseguiu aos 42. Coelho novamente apareceu bem no ataque e arrancou cruzamento na medida. Léo Fortunato desviou mal e a bola caiu nos pés de Marcinho, que emendou o chute o para fora. Foi a melhor oportunidade alvinegra na etapa inicial, o que evidenciava os problemas no jogo. Melhor para a Raposa.
Em nova jogada de contra-ataque, o Cruzeiro foi fatal. Leandro Domingues imitou Coelho, conseguiu chegar à linha de fundo e cruzou alto. Lima deixou a bola passar erroneamente e Araújo, sempre ele, estava livre para desviar à meta vazia, com Diego já batido no lance. Aos 45 minutos, a Raposa conseguiu uma vantagem decisiva diante do rival.
Lima havia falhado nos dois gols celestes, mas deu novo ânimo à massa aos sete. Se o ataque não apresentava força, restou à defesa resolver a situação. Éder Luís tentou jogada na área, Thiago Heleno mandou para escanteio. Coelho cobrou pela direita, o zagueiro subiu no primeiro pau e desviou sem chances de defesa para Gatti, devolvendo a esperança para a parte alvinegra do Gigante da Pampulha.
A vantagem de dois gols era importante, mas perigosa. A Raposa já havia aberto o placar contra Juventude e Paraná, acabando derrotada em ambos os duelos. Zetti resolveu então mandar seu time ao ataque. Colocou o xodó Paulo Henrique em campo e o Galo reagiu, retomando à velha forma. Aos 11, Éder Luís percebeu a abertura da defesa e arriscou o chute. Gatti espalmou no canto esquerdo arrancando suspiros.
Aos 16, Fernandinho cobrou uma falta nas mãos de Diego. Perdeu a chance de definir o jogo. O crescimento do Galo era visível e a defesa celeste, impecável na primeira etapa, errava muito. A principal falha era deixar Coelho livre. E a principal arma atleticana não decepcionou. No minuto seguinte, o lateral ficou livre e cruzou. Éder Luís aproveitou a ausência de marcação e cabeceou no canto, selando o empate.
Era a vez do Galo, que teve uma chance de ouro para coroar a virada aos 28. Dois minutos antes, Thiago Feltri dominou a bola na linha da área, pulou na hora da chegada de Léo Fortunato, de carrinho, mas o árbitro Héber Roberto Lopes marcou pênalti. Marcinho cobrou no canto direito de Gatti, o goleiro adivinhou o lado e pegou com o pé esquerdo.
O Cruzeiro não havia atacado uma vez sequer na etapa final e o filme das viradas estava escrito para a torcida. Entretanto, o técnico Dorival Júnior trabalhou
Aos 30, Wagner se livrou da marcação e lançou Guilherme pelo meio. O atacante dominou antes da chegada de Marcos e chutou na saída de Diego para selar a virada. Os cruzeirenses ainda comemoravam quando aos 39, em jogada oportunista, Ramires entrou na área pela esquerda, chutou cruzado e selou a vitória azul no Mineirão.