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Futebol

Mauro Silva diz que momento do futebol brasileiro "’não é tão grave"

Arquivo Geral

15/09/2014 11h08

O ex-volante Mauro Silva, campeão mundial em 1994, admite que o momento vivido pelo futebol brasileiro é complicado, mas evita adotar um tom catastrófico. Convidado por Dunga para ser seu assistente técnico pontual na Seleção Brasileira, nos amistosos contra Colômbia e Equador, disputados no começo deste mês nos Estados Unidos, Mauro Silva acredita que seja um momento para avaliações.

“Momento é difícil, mas não tão grave como pode dar a impressão aqueles 7 a 1 (contra a Alemanha, na semifinal da Copa). Claro que a gente sempre pode melhorar, e deve. É importante ter o diagnóstico sobre nossos pontos fortes, o que fazemos bem, o que não fazemos, onde temos margem para melhorar…”, afirmou o ex-jogador em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira.

Comandado por Carlos Alberto Parreira na Copa de 1994, Mauro Silva acha que Parreira e Felipão erraram ao garantirem diversas vezes que o Brasil seria campeão em 2014.

“O que pesou muito foi o emocional, o time sentiu demais. Ganhar uma Copa é extremamente difícil. Não vi em nenhum momento o time jogando tranquilo. Com a melhor das intenções, o Parreira e o Felipão deram aquelas declarações, e os jogadores sentiram mais pressão”, declarou.

 

A despeito das críticas sobre o retorno de Dunga ao comando da Seleção, Mauro Silva confia na capacidade do ex-companheiro para resgatar os tempos de glória do futebol brasileiro.

“Dunga já demonstrou na Seleção que pode fazer um grande trabalho. Ele sabe aprender, saber ouvir. E, além disso, pode ser uma referência, um espelho para os jogadores, porque essa derrota de 7 a 1 dói bastante. É uma marca dura para o jogador que participou dessa Copa. Eles têm no Dunga o exemplo do jogador que sofreu muito na Copa de 90, foi criticado, ficou rotulado e saiu de uma situação assim para ser o capitão do tetra em 94. Soube dar a volta por cima”, disse.

Mauro Silva apontou as categorias de base como a principal deficiência do futebol a ser corrigida. Na opinião do ex-volante, os jogadores deixam o Brasil cada vez mais cedo por verem na Europa um mercado “mais organizado e interessante”.

“O jogador poderia ir para a Europa um pouquinho mais tarde, ter passagem maior pelo futebol brasileiro e sair daqui mais bem qualificado, preparado, com mais chances de fazer sucesso. Seria bom para o futebol brasileiro se conseguisse formar um pouco melhor os jogadores antes de eles darem esse salto”, disse Mauro Silva, que ainda questionou a finalidade da base no Brasil. “A gente quer ganhar ou formar jogadores?”.

Apesar de ter negado que faltem craques no futebol brasileiro, o ex-jogador admitiu que o Brasil teve “mais jogadores determinantes” no passado.

“É também uma questão cíclica. Em 1994, por exemplo, no ataque a gente tinha Romário, Bebeto, Viola, Muller e Ronaldo. E o Evair não foi. Neste ano, na Copa, no aspecto ofensivo não tínhamos tantas opções como em outros anos”, disse.

Outro problema apontado pelo ex-jogador é a falta de tempo dada aos técnicos brasileiros, que, segundo Mauro Silva, “trabalham com a faca no pescoço”.

“Perdem dos jogos e são mandados embora. Como é que o cara faz um projeto de longo prazo? Como vai ter um esquema tático mais ousado?”, disse antes de negar que o futebol brasileiro está atrasado taticamente. “Diria que a gente tem menos intercâmbio de informações, de conhecimento, do que na Europa. E há outro aspecto: joguei 13 anos na Espanha e tive quatro técnicos. Se fosse aqui, teria 50”, declarou.

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