Às vésperas da estréia da seleção brasileira na Copa do Mundo feminina, na China, a meia Marta, maior destaque do time canarinho, já coloca um único objetivo: conquistar o inédito título mundial. Eleita melhor do mundo na última temporada, a camisa dez revelou que o Brasil não pode começar a competição nesta quarta-feira, diante da Nova Zelândia, contente com o ouro pan-americano, conquistado em julho no Rio de Janeiro.
“Chego para ser campeã do mundo. Estou convencida de que o Brasil pode conquistar o título pela primeira vez porque temos uma boa equipe e jogadoras sensacionais como Pretinha, Kátia Cilene e Formiga”, comentou a jogadora à revista Fifa Magazine.
Sobre a competição, a meia destaca China, Estados Unidos e Alemanha como favoritas, mas coloca o Brasil em condições de bater essas potências. “Será uma Copa do Mundo com partidas emocionantes por causa do desenvolvimento do futebol feminino nos últimos anos. Nenhuma seleção me dá medo, não há ninguém insuperável. Todos nós estamos em um mesmo nível”.
Marta criticou mais uma vez a falta de incentivo das autoridades esportivas brasileiras ao futebol feminino. “Durante a premiação da melhor do mundo em dezembro, fiquei conversando com a americana Kristine Lilly e a alemã Renate Lingor. Elas me contaram como o futebol feminino recebe apoio e consegue formar novas jogadoras em seus países. Senti tristeza, mas também desgosto, ao ver que no Brasil não recebemos esse apoio. Apesar de meninas jogarem futebol, não encontram a ajuda necessária para se tornarem boas jogadoras como eu”, comparou a camisa dez.
Na entrevista, a atual melhor do mundo também relembrou com carinho sobre o seu início de carreira e agradeceu ao Vasco, seu primeiro e último clube antes de seguir para o Umea, da Suécia.
“Viajei durante três dias de ônibus, foram mais de 1.500km. O treinador do Vasco ficou impressionado com a habilidade com que driblava e dominava a bola. Então, o clube me contratou e pagou todos os meus gastos. Fiquei morando com amigos da minha família. Três anos depois joguei o meu primeiro Mundial. Tinha 17 anos, e aos 18 acabei sendo contratada pelo Umea”, recordou a atleta de 21 anos.