Mano Menezes não partiu diretamente do campo para a sala de conferências do CT do Parque Ecológico, como costuma fazer em seus dias de entrevista. Foi à parte interna, trocou de camisa, respirou fundo e apareceu sorridente. “Muito boa tarde”, afetou, antes de ouvir a pergunta sobre os protestos dos torcedores na tarde de terça-feira.
A questão, mencionando que o ambiente não estava bom, foi interrompida: “O nosso está”. De acordo com ele, a presença de pelo menos 50 irritados corintianos, com os já tradicionais cantos do tipo “joga por amor ou joga por terror”, não mudará o comportamento do time contra o Atlético-MG, na quarta, em Itaquera.
“Não vai influenciar para mais nem para menos”, comentou Mano, preferindo analisar o embate das quartas de final da Copa do Brasil antes da previsível insistência nas perguntas sobre o protesto. “A gente vê, lê, enxerga, mas não deixa atrapalhar o trabalho do dia a dia.”
O gaúcho procurou traçar uma diferença clara entre “a torcida de um modo geral” e “alguns segmentos de torcida”, referindo-se aos organizados que foram ao CT. Para ele, é de apoio que o Corinthians precisa para superar o Atlético-MG. E é isso que, imagina ele, será visto no estádio de Itaquera.
“Eu respeito o protesto. Não acho absurdo o torcedor vir aqui, ficar do lado de fora e fazer o protesto. Ele acha que as coisas não estão bem e vem aqui, não tenho a pretensão de mudar a atitude. Apenas entendo que, quando o grupo não está bem, está precisando de apoio. É mais produtivo nessa hora, como tenho certeza de que vai acontecer”, disse.
Mano recordou que o Internacional conviveu com protestos recentes, com pressão sobre o técnico Abel Braga, antes de ter uma sequência de vitórias que o colocou na vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Ele desconectou a reclamação da melhoria e previu uma evolução também do seu time, “dando resposta para si mesmo”, não para os outros.