Após criticar abertamente as falhas de marcação do Corinthians no empate em 2 x 2 com o Náutico, na última quarta-feira, em Recife, o técnico Paulo César Carpegiani quer acertar de vez o sistema defensivo do Timão para a partida de volta das oitavas-de-final, na próxima quinta-feira, no Pacaembu. Os setores mais críticos para o treinador são as laterais.
Carpegiani antecipou que adotará o esquema 4-4-2, mas para que Eduardo Ratinho e Everton possam seguir entre os 11 iniciais, precisarão abdicar da vocação ofensiva para auxiliar na defesa. “Minha preocupação é fazer os laterais jogarem como laterais”, destacou.
“Agora, como vou ter tempo para conversar com os jogadores, treiná-los, vou tentar corrigir. Já falei isso e acho que será importante para eles atuarem como laterais. Se dentro dessa posição eles se adaptarem, têm grandes chances de começarem jogando já na próxima partida”, afirmou o treinador.
Um discurso diferenciado da última quinta, quando Carpegiani não poupou seus laterais de críticas. A tolerância é com o garoto Everton, promovido das categorias de base recentemente. Apesar de ser escalado pelo interino Zé Augusto no lado esquerdo, o jogador é meia de origem. Enquanto isso, Ratinho será mais cobrado.
“Se fizermos o Eduardo aprender a ter cuidados defensivos, ele vai jogar. Observei que ele deixa a defesa exposta e eu gosto do meu time apresentando um equilíbrio forte na defesa. Isso é fundamental, ainda mais em um time grande como o Corinthians”, ponderou.
A cautela defensiva é uma característica de Carpegiani. O treinador surpreendeu o mundo na Copa de 1998, quando armou um Paraguai forte na zaga utilizando o 3-5-2. Contratado pelo São Paulo no ano seguinte, foi um precursor do formato no futebol brasileiro. Curiosamente, no Corinthians os três zagueiros estão descartados por hora.
“Enquanto eu tiver a segurança necessária no 4-4-2, vou escalar assim. Eu usava o 3-5-2 justamente por segurança. Mas tudo vai depender da dinâmica do time. É ela quem vai me dizer o que é melhor”, concluiu.