Justamente na semana em que torcedores ingleses proferiram ofensas racistas a um cidadão francês no metrô de Paris, horas antes do jogo entre PSG e Chelsea pela Liga dos Campeões, o brasileiro Ramires concedeu uma entrevista ao site oficial do clube na qual condenou qualquer tipo de discriminação e comentou sobre o jogo da igualdade, diante do Burnley, neste sábado. Homem de confiança de Mourinho, o volante ainda luta para recuperar a plenitude física após ficar três meses afastado por lesão.
Antes mesmo do acontecido na última terça, que repercutiu o mundo e, de certa forma, manchou a imagem do Chelsea em termos de instituição, o jogo deste sábado em Stamford Bridge já serviria como um incentivo à igualdade e ao fim do racismo no futebol. “É importante passar a mensagem de igualdade além. Faço isso com meus filhos, amigos e parentes. É importante passarmos isso a todos, mas às crianças e aos jovens especialmente. Seja pelo racismo ou qualquer outro tipo de discriminação, é tudo a mesma coisa”, disse Ramires.
Cerca de um terço do elenco atual do Chelsea é composto por negros. De 25 atletas no profissional, nove são negros – e Ramires é um deles. Além do brasileiro, o clube inglês conta com o terceiro goleiro Jamal Blackman, com o zagueiro Kurt Zouma, com o atacante Didier Drogba (autor do gol da conquista da Champions em 2012), com o volante Mikel, e com os atacantes Willian, Remy, Cuadrado e Isaiah Brown. Inclusive, o funcionário do clube que cuida de campanhas contra o racismo é de cor escura: Paul Canoville, primeiro jogador negro a vestir a camisa dos blues na década de 1980.
“Tento ensinar meus filhos que somos todos iguais. Tenho muito orgulho de ser negro, mas quando você vê debaixo de nossas peles, todos têm sangue vermelho correndo nas veias. A cor da pele não importa, o que importa mesmo é que somos seres humanos”, declarou Ramires, que pensa que a ênfase dada ao racismo pode, por vezes, diminuir a importância e os atrativos do jogo em si.
“O futebol é um jogo tão bonito, mas quando você liga a TV para assistir a uma partida e um ato racista acontece, as pessoas param de falar sobre o jogo e começam a tratar de um assunto totalmente diferente. O racismo é algo que precisa ser chutado para fora do futebol de modo a não estragar o show. Somos todos iguais, não há necessidade desse tipo de discriminação fazer parte do jogo”, reforçou o camisa 7.