Já era madrugada de quinta-feira quando o técnico Hélio dos Anjos apareceu na sala de imprensa do estádio Anacleto Campanella, para falar sobre a derrota de quarta do São Caetano para o Goiás. Apesar de aumentar as especulações sobre sua demissão com a demora, ele desmentiu que estava sendo cobrado pela diretoria do Azulão.
Enquanto Hélio dos Anjos não chegava, os jogadores do São Caetano demonstravam incerteza sobre seu futuro. “Ele não passou nada para gente”, resumiu Gustavo. “Não estou sabendo se aconteceu alguma coisa. Só que amanhã temos treino”, afirmou Anderson Lima.
O presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza, garantiu que o técnico estava mantido no cargo, pelo menos por enquanto. A assessoria de imprensa do clube confirmou a informação e, enfim, o próprio Hélio dos Anjos apareceu para acabar com os boatos. “Desculpem pelo atraso, gente”, anunciou, antes de negar que tenha se reunido com os dirigentes.
“Não conversei com a diretoria. Só estava na minha sala, respirando. Depois de uma derrota como essa, você acaba ficando um pouco mais nervoso e precisa de mais tempo para respirar”, justificou. “A única vez que o presidente e o vice vieram até mim foi no intervalo. E conversamos sobre o jogo”, complementou.
Segundo Triguinho, o técnico aconselhou que seus comandados também respirassem após o tropeço desta quarta-feira. “Ele só pediu para todo mundo ficar com a cabeça no lugar porque não adianta ficar discutindo agora, que estamos nervosos”, contou o jogador.
Se ainda não enfrentou cobranças do presidente, Hélio dos Anjos viu a revolta da pequena torcida do São Caetano com vitória do Goiás. Como Paulo César Gusmão, ele não tem nenhuma vitória dirigindo o clube do ABC. “É normal, em se tratando de Brasil, um treinador perder cinco jogos. Mas isso acarreta em transtornos. As cobranças internas são fortes”, reconheceu.
Nesta semana, o técnico Antônio Lopes, demitido recentemente pelo Fluminense, chegou a declarar que foi sondado para comandar o São Caetano, o que a diretoria do Azulão negou categoricamente. Só neste ano, Nelsinho Baptista, Dino Camargo, Emerson Leão e PC Gusmão já passaram pelo cargo. E, dada a situação da equipe, não seria surpressa se Hélio dos Anjos também saísse.
“Quem sente mais? Eu sinto, mas imagino como está a diretoria e a torcida, que estão nessa luta desde o início do ano”, contestou o técnico, que, embora tenha respirado bastante, ainda dava mostras de nervosismo. Trocou os nomes de Triguinho e Dinélson por Tigrinho e Edinélson, por exemplo.