Petronilo Oliveira, do Jornal de Brasília
Gama e Paraná fizeram, ontem, no Mané Garrincha, um jogo emocionante. Principalmente, nos momentos finais. No entanto, ao fim do confronto, apenas os visitantes tiveram motivo para sorrir.
Depois de empatar com Pedro Paulo, cobrando pênalti, o Alviverde teve a chance de virar o marcador, em cabeçada de Lucas Silva. Como castigo, viu a Série C mais perto no último minuto lance. Fabrício foi derrubado na área e bateu pênalti para praticamente enterrar o rival na Terceira Divisão, e aproximar ainda mais o Paraná da permanência na Segunda Divisão. Por ironia do destino, o virtual rebaixamento pode ser selado no dia do 33º aniversário do clube, 15 de novembro, contra o Criciúma. No alto da tabela, o Avaí assegurou a segunda das quatro vagas à elite ao vencer o Brasiliense por 1 x 0, na Ressacada. A outra é do campeão Corinthians.
Jogo
A vergonha do Gama começou antes da bola rolar. O jogo teve início com 22 minutos de atraso. As marcações do campo foram desfeitas pela forte chuva durante todo o dia. Mesmo sem as linhas que deveriam demarcar o gramado, a arbitragem deu início ao confronto da noite de ontem.
Com as falhas de sempre, mas a atitude de poucas partidas na competição, o Gama teve a primeira chance logo aos dois minutos. O meia Thiaguinho roubou a bola de Leandro, na intermediária, e rolou para Adriano Magrão. O atacante soltou a bomba de perna esquerda, mas a o goleiro Mauro jogou para escanteio. Na seqüência, Dendel perdeu, de cabeça, uma chance clara.
Nos contra-ataques, o Paraná mostrava-se bastante arisco e perigoso. Mas o goleiro André Zandoná fez sua melhor partida com a camisa do Gama. A primeira chance dos visitantes foi com Agenor, revelado pelo Alviverde. O volante encheu o pé, mas o camisa 1 jogou para escanteio.
Os lances iniciais mostraram o que seria a tônica do jogo. Após nova falha do contestado sistema defensivo do Gama, Edimar quase fez contra, mas a bola bateu na trave e sobrou para Leandro abrir o placar, na segunda chance.
Um minuto depois, Edimar arrancou pela esquerda, invadiu a área, e foi travado por Agenor. O árbitro goiano André Luiz de Freitas Castro assinalou pênalti, convertido por Pedro Paulo. Depois de perder várias chances de virar, Fabrício, também de pênalti, marcou o gol da virada.
Jean Cláudio joga a toalha
Os jogadores do Gama deixaram o gramado com pressa e cara de poucos amigos. De banho tomado, o capitão Júlio César saiu do vestiário abalado. O volante está prestes a viver seu terceiro rebaixamento seguido. Em 2006, caiu com São Caetano. Ano passado, com o Juventude. Em ambos da Série A para a B.
“A falta de sorte me persegue. Fui um dos caras que mais correu em campo. Vou ficar conhecido como quem fez o pênalti. Estou abalado. Não jogo contra o Criciúma pois estou suspenso. Vou até o final com o Gama. Não sou de abandonar o barco”, discursou Júlio César.
O técnico Jean Cláudio só ouviu o coro de burro quando tirou Dendel da equipe. Mas o próprio prata-da-casa defendeu o treinador. “Fui eu quem pedi para deixar a equipe. Estava morto”, admitiu. Quando chegou ao banco, o atacante ainda discutiu com o treinador. “Ele reclamou que não segui algumas orientações, mas eu avisei que não estava ouvindo. Fiz uma boa partida. Mas infelizmente não adiantou nada”, lamentou o atacante do Gama.
Jean Cláudio foi enfático, ao dizer o que o time está rebaixado para a Série C do Brasileiro. “Não estou aqui para iludir ninguém. Estamos rebaixados. Não gosto de discurso de chororô. Mas quando cheguei, não podia mais contratar. E peguei um grupo desacreditado. Jogadores contratados para resolver, a peso de ouro, como Landu e Roberto Santos, nos decepcionaram”, criticou Jean Cláudio.