Na semana em que acontecerá novas eleições presidenciais na Fifa, na sexta-feira, um escândalo de corrupção atraiu os olhares do mundo para Zurique, nesta quarta. Sete dirigentes do futebol mundial, entre eles José Maria Marin, vice da CBF, foram presos em ação conjunta da polícia norte-americana e suíça acusados de corrupção. Em declaração oficial nesta manhã, o porta-voz da entidade disse que a Fifa está à disposição para colaborar.
Walter Gregorio admitiu que, apesar de manchar a reputação da entidade, as investigações são benéficas para a Fifa. “Isso (a investigação) para Fifa é bom, não é bom em termos de reputação, mas em termos de limpeza de tudo que fizemos nestes últimos quatro anos é uma coisa boa. Eles foram presos, mas ainda não foram condenados”, disse em coletiva de imprensa nesta quarta.
Garantindo que nem Joseph Blatter, presidente da entidade, nem Jerome Valcke, secretário-geral, estão envolvidos no escândalo, Gregorio reforçou que a Fifa está à disposição para colaborar nas investigações. “Nós podemos limpar a Fifa até certo ponto, depois precisamos de ajuda das autoridades e já dissemos isso. Precisamos de ajuda, não conseguimos investigar como a polícia ou o procurador-geral. Por isso entregamos o relatório e estamos cooperando”, esclareceu.
Loretta Lynch, procuradora que investiga o desvio de verba, atentou para as raízes profundas da corrupção que acomete o futebol, segundo ela, há pelo menos duas décadas. “O indiciamento sugere que a corrupção é desenfreada e tem raízes tanto no exterior quanto aqui nos Estados Unidos. Isso começou há pelo menos duas gerações de executivos que abusaram de suas posições para obter milhões de dólares em suborno e propinas”, comentou.
James Comey, diretor do FBI envolvido na investigação, elogiou os envolvidos no caso que prendeu sete pessoas em um hotel de Zurique nesta manhã. “Os reús se envolveram em uma prática de corrupção que criou uma desigualdade de condições para o maior esporte do mundo. Propinas e subornos se tornaram uma forma de fazer negócios na Fifa. Quero elogiar os investigadores e promotores que se envolveram”, disse.
Dos 14 indiciados, segundo o New York Times, sete foram presos. São eles José Maria Marin, Jeffrey Webb, Eugenio Figueiredo, Eduardo Li, Costas Takkas, Julio Rocha e Rafael Esquivel. Os dois que não foram presos são Nicolás Leóz, ex-presidente da Conmebol, e Jack Warner, presidente da Concacaf. Os reús seguem em Zurique, capital da Suíça, à espera da extradição aos Estados Unidos.