O presidente Paulo Nobre prometeu reforços, mas, em vez de goleiro, lateral, zagueiro, volante, meia ou atacante, apenas trouxe para o último colocado do Brasileiro o motivador Lulinha Tavares. Sugestão da diretoria que Dorival Júnior aceitou após perder por 6 a 0 para Goiás. No entanto, sem deixar de realizar seu próprio trabalho psicológico para salvar o Palmeiras do rebaixamento.
O técnico faz questão de se mostrar cada vez mais próximo dos jogadores. Conversa muito com titulares e reservas antes, durante e depois dos treinos e, agora, reforça papos individuais com todos do elenco. Nessa quarta-feira, por exemplo, chegou a se agachar para falar particularmente com Mendieta, meia que pouco tem sido usado.
“Tenho conversado individualmente não só com os líderes, mas com todo e qualquer atleta que participa ou está fora dos jogos. É um momento de união ainda maior, de participação maior. Tem que haver entrega e responsabilização de todos nós”, afirmou o treinador, tentando entender as particularidades de cada um para ter todo o grupo na mão.
“É uma hora oportuna para se colocar para fora alguma situação. É natural instigar, motivar e tentar traçar alguma situação para perceber correções que precisam ser feitas. Não é fácil fazer um diagnóstico com apenas 18 dias na equipe, mas buscamos todos os fatos possíveis para as coisas voltarem à normalidade, o que não é simples”, disse Dorival.
Mais afastado, Nobre preferiu trazer um motivador para o elenco que tem todos os seus salários e premiações em dia, mesmo sendo uma das folhas mais caras do futebol brasileiro. Dorival teve que acatar a chegada de Lulinha Tavares, que tem em seu histórico a participação na campanha que salvou um rebaixamento que parecia iminente do Fluminense em 2009.
“Isso acontece com vários clubes e a diretoria sugeriu um rapaz que fez um trabalho aqui dentro. Tudo que vem acrescentar é importante. Mas, para qualquer profissional, estar no Palmeiras é mais do que uma motivação e temos que assumir essa condição, independentemente de vivermos um momento muito difícil, tentando se resgatar e se reequilibrar dentro do campeonato, com dificuldades rodada a rodada”, declarou Dorival.
No ano passado, Lulinha trabalhou no Verdão após goleada por 6 a 2 para o Mirassol e, depois, o time foi eliminado em todas as primeiras fases eliminatórias que disputou (no Paulista, na Libertadores e na Copa do Brasil). Não foi além do obrigatório título na Série B do Brasileiro, com fórmula de pontos corridos. Assim, Dorival mantém a sua linha de não deixar o time se desesperar com o perigo de cair, paralelamente às ideias que o motivador pode implantar.
“Não adianta nada vencer o Vitória e estacionar, tampouco se ocorrer outro resultado. Não é hora para desespero. Cada jogo é uma decisão, mas com a consciência de que precisamos de muito mais e não podemos ficar parados apenas em um resultado. Temos que buscar uma sequência”, cobrou o técnico.