O momento do futebol brasileiro é conturbado. Atravessando graves dificuldades financeiras, os clubes se veem sem condições de realizar grandes contratações, travando o mercado. É nessa situação que os empresários, tido por muitos como elementos ruins no futebol, surgem como mediadores entre times e jogadores. O momento, no entanto, tem sido cruel também para os agentes.
“Os empresários continuam fazendo aquilo que eles fazem normalmente. O problema é que nos negócios de futebol, há a ponta comprador, que são os clubes, e os jogadores. Atualmente, não estamos tendo a ponta comprador”, lamenta Wagner Ribeiro, empresário de jogadores como Neymar e Robinho. O empresário, inclusive, usa uma metáfora bem-humorada para exemplificar a situação econômica dos times brasileiros.
“Os clubes brasileiros estão literalmente quebrados. Eles não têm dinheiro para pagar a folha salarial. Os times estão vendendo o jantar para pagar o almoço”, ironiza.
Troca de dívidas
Uma alternativa que tem sido usada constantemente é o envio de jogadores a outros clubes. Desta forma, o time que detém o contrato do atleta não precisa arcar com o salário, aliviando, os cada vez mais apertados orçamentos.
“O que acontece é uma troca de duplicatas. É quase como ter um carro e não ter condições de pagar. Lá na frente, você vai na concessionária e vende o carro e pega outro. Às vezes pega um melhor, outras pior”, exemplifica Antenor Joaquim, responsável por agenciar a carreira de Jobson.
Os empresários concordam que o cenário a curto prazo não é dos melhores para os clubes brasileiros. Segundo eles, o que precisa mudar é a forma de trabalhar. “É óbvio o que vou dizer, mas só vejo uma saída: os times precisam diminuir os custos e aumentar as receitas”, sentencia Ribeiro.
Joaquim, por exemplo, aponta outras formas para que os clubes ganhem um respiro financeiro.
“O jogador brasileiro não precisa ser necessariamente vendido. Ele pode, por exemplo, ser dado como uma garantia. Na minha opinião, falta gestão e isso complica”, frisa.
Saiba mais
Um lugar que tem atraído a atenção de jogadores brasileiros é o México.
O último a se mandar para a América Central foi o atacante Rafael Sóbis, que deixou o Fluminense e assinou com o Tigres.
Antes dele, Ronaldinho Gaúcho já havia ido para o Querétaro, onde terá a companhia do goleiro Tiago Volpi, caso permaneça no time.
De acordo com Antenor Joaquim, o México tem como trunfo o fato de estar próximo dos Estados Unidos, um mercado que começa a contar com grandes jogadores nas principais ligas. Atuarão no país nomes como Kaká e Raúl.