O Cruzeiro venceu o Democrata-GV por 3 x 2 na tarde do domingo, no Mineirão, mas nem isso aliviou as broncas do técnico Paulo Autuori nos vestiários. Apesar da classificação antecipada às semifinais do Campeonato Mineiro, o treinador pediu mais atenção de sua zaga.
"O jogo era para ser uns quatro ou cinco e a minha bronca é justamente por não termos feito os gols no segundo tempo e depois, por displicência, ter comprometido a bela atuação do segundo tempo", destacou o treinador.
A bronca de Autuori faz sentido, afinal enquanto o ataque ostenta a melhor marca da competição com 25 gols em nove jogos (média de 2,7 por partida), a defesa vem deixando a desejar. A zaga celeste sofreu 15 gols, apenas um a menos que o lanterna América-MG. É a pior média entre os quatro primeiros colocados que passam ao mata-mata.
"Para fazer uma equipe ser madura coletivamente não é fácil, não adianta juntar jogadores maduros. No final era para a gente ficar com a bola. Se você lutou, criou chances e mais chances de fazer o quarto e o quinto, o sexto, e não conseguiu, faltando cinco minutos para acabar o jogo você fica com a bola, nada mais do que isso. A equipe não teve o discernimento para fazer isso", completou.
Entre os jogadores, as broncas de Autuori parecem ter surtido efeito. Para o meia Marcinho, a equipe vai assimilar bem as críticas. "A gente fala, comenta, mas o importante é que o nosso objetivo foi alcançado com a vitória, a liderança e a classificação. Os detalhes da partida o Paulo com certeza vai falar com a gente no vestiário já", destacou.
Para o técnico, o amadurecimento que falta ao Cruzeiro é sinônimo de rigor no cumprimento das obrigações. "A equipe tem que ser rigorosa na parte tática, definir o jogo na hora que tem que definir, esperar o apito final do juiz para terminar o jogo. Esse rigor é o que tem a ver com amadurecimento. Somos nós que temos que ser rigorosos", disse.
Mesmo tendo a semana inteira para trabalhar a defesa, Autuori vai ter dificuldades. Isso porque o setor vai ter de ser alterado pela sétima partida consecutiva. O suspenso da vez é André Luís, que atuou através de um efeito suspensivo e recebeu o terceiro cartão amarelo. Gladstone, que retorna justamente de gancho, entra em seu lugar.
"Isso faz parte do futebol, eu nunca lamento cartões e lesões. São coisas que acontecem no futebol competitivo e você não pode ficar lamentando. Aí é tirar a sua responsabilidade, você tem que trabalhar para as coisas acontecerem. No próximo jogo certamente o Glad volta. O André não pode jogar, joga o Luizão, dentro daquilo que já definimos", concluiu Autuori.