De um lado estará o Atlético-MG, que entra como mandante por ter feito pior campanha na fase de classificação. Mesmo estando vivo na disputa da Copa do Brasil, o título Mineiro encerraria um jejum de sete anos do Galo, tempo considerado ‘inaceitável’ pela Massa. A chance de quebrar a seqüência negativa logo diante do maior rival empolga até os jogadores.
“Passa um filme na cabeça, do passado, de ser campeão duas vezes do Mineiro. Agora, se tiver mais uma possibilidade de ser com a camisa do Atlético com certeza vou ficar muito feliz e farei tudo para que o clube possa vencer”, disse o meia-atacante Marcinho, que ao lado do técnico Levir Culpi foi o único a experimentar a sensação do clássico pelo outro lado. O jogador chega gabaritado com duas conquistas do Mineiro pelo rival.
Do lado celeste, a pressão é grande após a eliminação na Copa do Brasil para o Brasiliense. É evidente aos torcedores que o ritmo do início do ano, quando a Raposa pintava como franca favorita à conquista, caiu. O técnico Paulo Autuori tenta justar os cacos e promete um resultado ‘satisfatório’ para conter a desconfiança azul. “Não tem nada a ver um jogo com o outro, são situações completamente diferentes, não dá para pensar nisso ai. São jogos sempre equilibrados, um clássico desse nível, especificamente em uma decisão”, alertou. O recado está dado: o estadual virou um prêmio de consolação a quem não escondia a preferência pela Copa do Brasil no primeiro semestre.
Aos torcedores, mais um agravante: mesmo com o Mineiro tradicionalmente dividindo conquistas entre Galo e Raposa, desde 2004 as equipes não disputam o título. Na ocasião, os celestes ficaram com o título, agravando ainda mais a ansiedade atleticana. “Foi por mérito das duas equipes. O Campeonato Mineiro tem boas equipes, mas não fica bonito no final se não tiver Cruzeiro e Atlético na decisão. É o que os torcedores querem ver, a imprensa também. É um jogo que move emoções da criancinha, da pessoa idosa. Todos queriam isso e principalmente o Atlético, que há muito tempo não participava desse final. É um título que a torcida está esperando há anos”, reforçou Marcinho.
É nesse clima de euforia que o Galo inicia a disputa. O único problema para Levir está na lateral esquerda, já que Thiago Feltri deixou a vitória de 1 x 0 sobre o Avaí, na última quarta, sentindo fortes dores. Ricardinho pode substituí-lo. A dúvida está no ataque. O criticado Galvão apareceu surpreendentemente entre os 11 iniciais, marcou o gol do jogo e parece ter assegurado o seu retorno na vaga de Vanderlei. Também não está descartada a saída de Éder Luís para a entrada de mais um volante.
Como em time que passa por boa fase as preocupações são mínimas, a obsessão do Alvinegro está em tirar a vantagem de jogar por dois empates que o Cruzeiro tem. O treinador fala ‘em fazer chover’, mas os atletas resumem a necessidade de obter duas vitórias. De qualquer essa é a prioridade pelos lados de Vespasiano.
“É um jogo essencial, apesar de não ser o jogo decisivo. É importante que nós possamos passar a vantagem para o nosso lado. Mas a gente sabe que. mesmo em caso de essa vantagem ser quebrada e vir para o nosso lado, ainda tem o outro jogo. Não dá para você arriscar tudo ou abrir mão de tudo neste jogo, temos que jogar com inteligência”, assegurou o zagueiro e capitão Marcos.
Para os cruzeirenses, a dúvida está no lateral Jonathan, que vinha sendo improvisado na esquerda, mas sentiu contusão antes do duelo com o Jacaré. Fábio Santos deve substituí-lo, para a revolta dos torcedores, críticos constantes do ex-são-paulino. Pelo mesmo motivo (pressão das arquibancadas), Autuori deve sacar Maicosuel dos titulares. Fellype Gabriel e Leandro Domingues brigam por sua posição.
Recuperado de contusão, Fellype revelou o clima tenso nos bastidores celestes antes da decisão. “Esse é o jogo da nossa vida, é o jogo que define o primeiro semestre. Se nós conquistarmos o título será uma alegria, se não conquistarmos, o negócio fica feio. A gente está ciente disso, mas temos que jogar tranqüilos. A gente também não pode ficar nervoso, tem que estar tranqüilo para poder mostrar o que é o Cruzeiro nessa final”, assegurou.
ATLÉTICO-MG x CRUZEIRO
Local: Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 29 de abril de 2007, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Cléver Assunção Gonçalves
Assistentes: Alexandre Santos Conceição e Jair Albano Félix
ATLÉTICO-MG: Diego; Coelho, Lima, Marcos e Ricardinho (Thiago Feltri); Rafael Miranda, Bilu, Marcinho e Danilinho; Éder Luis e Galvão (Vanderlei). Técnico: Levir Culpi
CRUZEIRO: Fábio; Gabriel, Luizão, Gladstone e Fábio Santos (Jonathan); Léo Silva, Ricardinho, Geovanni e Maicosuel (Fellype Gabriel ou Leandro Domingues); Araújo e Guilherme. Técnico: Paulo Autuori