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Hormônio D e Alzheimer

Nossa história, nossa família, nossos amigos, nossos gostos e aspirações, todos eles se sedimentam no passado. Quem seríamos sem ele?

Hôrmonio D e Alzheimer

Quem seríamos sem nossas memórias? Essa é uma pergunta e tanto. Devido à estrutura da nossa realidade, vivemos eternamente no presente, passado e futuro são meras ilusões, como bem escreveu Eckhart Tolle em seu famoso livro “O Poder do Agora”. Porém, mesmo nesse eterno devir, o passado é crucial não apenas para podermos interpretar o presente e fazermos planos, mas para, fundamentalmente, entendermos quem somos. Nossa história, nossa família, nossos amigos, nossos gostos e aspirações, todos eles se sedimentam no passado. Quem seríamos sem ele?

A demência, sendo a doença de Alzheimer sua principal etiologia, é definida como o declínio cognitivo em múltiplos domínios ocasionando prejuízo social ou funcional. É uma doença que acomete hoje 35 milhões de pessoas no mundo com tendência de dobrar até 2030 e a triplicar até 2050. Hoje já sabemos que estresse oxidativo, inflamação subclínica, sedentarismo e sobrepeso estão intimamente ligados à etiopatogenia dessa síndrome. Dito isso, pesquisas foram feitas para avaliar se a nossa chave imunológica, o hormônio D, teria alguma relação com tratamento ou prevenção da moléstia.

Uma meta-análise de estudos observacionais demonstraram que níveis de até 35 ng/ml de vitamina D esteve correlacionado com menor risco de adoecimento. Outro estudo observacional feito com 1658 participantes de 1993 a 1999 demonstrou aumento de 122% no risco de demência para deficiência severa de hormônio D ( <10 ng/ml) e aumento de 70% para deficiência ( <30ng/ml). As formas como o hormônio D influencia o sistema nervoso central são diversas, como a regulação dos níveis de cálcio intracelulares que irão impedir a formação excessiva da enzima nNOS e radicais livres, além de impedir a cascata ácido araquidônico e a perioxidção lipídica. Os níveis de glutationa na células do sistema nervoso são repostos, o que gera defesas aumentadas contra o estresse oxidativo, além da diminuição de citocinas pró-inflamatórias que estão ligadas etiopatogenia das doenças crônicas não transmissíveis, não sendo Alzheimer uma exceção.

Um estudo feito em 2012 demonstrou efeito superior da combinação de memantina com hormônio D ao invés da administração isolada de ambos. Em 2019 outro estudo randomizado demonstrou benefício após usar doses relativamente baixas (800UI/dia) por 12 meses em pacientes com diagnóstico já estabelecido. Evidenciando assim o papel neuroprotetor que estudos moleculares anteriores apontavam.

Para preservamos nosso futuro (ou nosso passado ?) níveis de hormônio D devem ser sempre monitorados e repostos com indicação médica. Como estão seus níveis?








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