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Você pode se apaixonar com 36 perguntas?; assista a vídeo

Sem saberem como seriam seus parceiros, a equipe de produção combinou 10 casais, baseando-se em um formulário de preferências

Foto: AFP

Isabela Amaral, Lorena Rodrigues, Maria Tereza Castro, Arthur Ribeiro e Gabriel Fontoura
(Jornal de Brasília / Agência de Notícias UniCEUB)

“As 36 perguntas que levam a paixão” é o nome de um estudo do psicólogo americano Arthur Aron, desenvolvido em 1997. Ele fala sobre criar uma conexão entre dois estranhos com apenas algumas perguntas que quebram as barreiras de uma conversa normal, pois forçam uma intimidade entre os participantes, podendo levar a algo mais sério no futuro.

Com o objetivo de ouvir jovens sobre essa hipótese, a equipe de reportagem da Agência UniCEUB convidou 20 pessoas solteiras no Parque Olhos D’água, que fica na Asa Norte, para realizarem encontro às cegas.

Sem saberem como seriam seus parceiros, a equipe de produção combinou 10 casais, baseando-se em um formulário de preferências preenchido pelos participantes.

Os encontros foram divididos em dois dias diferentes, de forma simultânea, e cada casal ficou responsável por realizar as 36 perguntas alternadamente, um para o outro. A experiência contou com a participação de pessoas diversas e de coração aberto para novas oportunidades. 

Assista abaixo a vídeo com os encontros:

Dentre os 10 casais montados, os resultados foram os mais diversos, alguns preferiram a amizade, uns ainda estão na fase de conversa, enquanto outros saíram juntos e aconteceu até beijo.

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O estudo de Arthur Aron fala que as pessoas devem ser compatíveis para que as perguntas de fato funcionem, algo que percebemos com o teste. Reparamos um padrão, as pessoas que tinham especificado suas preferências antes de montarmos os casais foram os que mais tiveram compatibilidade, já a maioria dos que não especificaram são os que, infelizmente, menos deram certo.

Todos os participantes declararam que tiveram uma boa experiência. “Divertida”, “diferente”,“interessante” e “daora” foram algumas das palavras usadas para descrever o momento.

Na realização do teste, nossa equipe também encontrou um casal que está junto há três anos, os dois ficaram curiosos e fizeram as perguntas um para o outro. Eles relataram que isso fortaleceu seu relacionamento de certa forma, por abordar tópicos que geralmente não são tratados em uma conversa cotidiana.

“É possível!”

Segundo a psicóloga Elizabeth Sotero, a experiência proposta por Arthur Aron pode sim levar duas pessoas a se apaixonarem. Ela diz que as perguntas permitem que o casal crie intimidade, e que eles se mostrem vulneráveis e, assim, isso pode despertar uma paixão.

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A psicóloga salienta que existe embasamento científico do estudo, pois alguns autores famosos da área afirmam que demonstrar vulnerabilidade é um dos passos para a criação de laços fortes. “Nós nos entregamos às relações de afeto, sejam elas amizades ou amorosas, se forem conexões profundas e as perguntas permitem que as pessoas compartilhem a intimidade”, explica.

De acordo com ela, existem razões conscientes e inconscientes para a paixão, ela não é despertada apenas visualmente. O interesse visual por aquilo que achamos belo é apenas uma construção social. Elizabeth afirma que gostar de alguém visualmente somente desperta o interesse por uma conversa, o que realmente nos faz apaixonar é o nível de intimidade construído.

A psicóloga também diferencia o amor da paixão, informando que são fruto de processos químicos diferentes que ocorrem no cérebro. O amor é uma relação construída, e não apenas um sentimento. A especialista diz que as 36 perguntas do estudo de Arthur Aron também ajudariam a manter um bom relacionamento, pois a intimidade é uma construção diária. “O que mantém a união, a chama da paixão acesa em um relacionamento duradouro, é a intimidade”, declara.

A psicóloga declara que todos se apaixonam da mesma forma. O que difere são os paradigmas que cada um acaba seguindo, pois acreditam que uma primeira impressão determina o potencial de criar uma relação com alguém.

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Segundo Elizabeth, na nossa construção social machista, é imposto para os homens que o desejo sexual deve ser imediato e as mulheres costumam idealizar os amores instantâneos das histórias de princesa. “Com o passar do tempo, quando a paixão e a intimidade do casal são desenvolvidas, por meio de conversas, ao estar sempre perto, a atração sexual vem naturalmente”, explica direcionando para os homens.

Ela complementa dizendo que as expectativas acabam sabotando a formação de relacionamentos, é preciso investimento e disponibilidade para essa construção. ”Não acontece como nas histórias de contos de fadas: almas gêmeas que, quando se olham, já se apaixonam; nasce um amor; ficam juntos e são felizes para sempre”, exemplifica. 

De acordo com Elizabeth, a pandemia dificultou a procura por relacionamentos, pois as pessoas não sabem utilizar os meios tecnológicos para essa finalidade corretamente.

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Por exemplo, os aplicativos de namoro não são utilizados de forma saudável, as conversas são rasas e os usuários acabam não se conhecendo bem. Uma recomendação dela para quem está procurando o amor é se aprofundar o máximo possível em suas relações, buscando a criação de vínculos. 

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Participantes:

Alessandra Carvalho, Artur Breder , Arthur Ribeiro, Fadel Helgert, Fernando Autran Neto, Gabriel Romeiro, Gabriela Guimarães, Isadora Martins, João Vítor Mendes, Letícia Lima, Lucas Leite, Maria Eduarda Carvalho, Maria Paula Meira, Rafael Jeferson, Raphael Diniz, Raquel Gouvêa, Vinícius Pellussi, Vitória Passos, Yasmin Demanboro, Yokai/Kai Gentil

 Confira as 36 perguntas no artigo do jornal New York Times








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