Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Teatro e Dança

“Os Exóticos”: espetáculo teatral aborda a comédia que há no cotidiano

Por meio de esquetes com diversas temáticas, peça busca mostrar a comicidade que existe no dia a dia e convida o público a refletir sobre certos aspectos da sociedade

Por Ingrid Costa 01/12/2023 5h00
Os Exóticos Elenco de ‘Os Exóticos’. Foto: Irina Buss e Rui Miranda

Nesta sexta-feira (1), a Casa dos Quatro (708 Norte) recebe a estreia do espetáculo “Os Exóticos”. Dirigida por Morillo Carvalho, a peça busca transformar diversas situações do cotidiano em humor e gerar reflexões no público, seja por meio do texto teatral ou até mesmo por memes que ficaram populares na internet.

A produção também é uma homenagem ao legado de Alexandre Ribondi, figura importante para a cena cultural de Brasília. Um dos fundadores da Casa dos Quatro, Ribondi era atuante na militância da causa LGBTQIAPN+ e tinha a arte como ferramenta para criticar e gerar debates através da comédia. Um de seus projetos foi a Oficina de Atores, realizada em 2017, que teve como resultado a primeira montagem de “Os Exóticos”.

Ana Elisa Santana, que está no elenco da peça, e Geise Prazeres, assistente de direção e uma das alunas de Ribondi, conversaram com o Jornal de Brasília sobre “Os Exóticos”. Confira o bate-papo e saiba mais sobre o que esperar da produção, como foi o processo de criação e de que forma o teatro age como ferramenta de intervenções sociais.

Como foi o processo de produção para “Os Exóticos”?
Esse espetáculo nasceu a partir do aprendizado oferecido na Casa dos Quatro. Os alunos de Alexandre Ribondi se tornaram professores e diretores e agora dão continuidade ao legado dele. Começamos o processo em agosto, fazendo uma introdução à linguagem teatral com jogos, exercícios de voz e expressão corporal. Em setembro, demos início à montagem, feita originalmente em 2017 com textos do próprio Ribondi, e agora estamos retomando também como uma forma de homenagem a ele.

O que o público pode esperar do espetáculo?
É uma peça que mostra que dá para a gente rir de tudo da nossa vida. Tem situações do cotidiano, como visita ao médico ou ida a um bar, retratadas de uma forma cômica. Apesar de serem 15 esquetes diferentes umas das outras, são cenas “costuradas” sob uma narrativa e uma lógica geradas para provocar a reflexão do público. O Ribondi trazia isso nas oficinas dele. Ele dava liberdade para nós, atores criativos, propormos e aprendermos a ter um pensamento crítico.

Pelo fato de Ribondi ter sido um ativista muito atuante na causa LGBTQIAPN+, a peça também traz esse conteúdo, sempre com cenas engraçadas, mas que fazem críticas sociais. Ela traz o olhar cômico ao dia a dia ao mesmo tempo em que questiona o que é preconceituoso e atrasado.

Foto: Irina Buss e Rui Miranda

De que forma a comédia ajuda a incitar e entender as discussões que a peça propõe?
Fazer críticas a esses temas é algo que, historicamente, a comédia faz. “Os Exóticos” vem com uma análise acerca do que é o politicamente correto. É uma peça que mostra muito do que há de engraçado no ser humano, mas que não faz isso de forma caricata, preconceituosa ou por meio da chacota.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A comédia é também é uma forma de aproximação, pois, por meio da comédia, é mais fácil trazer o público para refletir sobre determinado assunto e analisar de fato o que é a sociedade. Alguns temas são naturalmente pesados e causam intimidação quando abordados de uma forma mais dramática e séria. Certas situações do dia a dia são mais pesadas, mas, no teatro, podemos encontrar uma forma de rir.

Além dos textos de Alexandre Ribondi, quais outras inspirações e referências estão contidas em “Os Exóticos”?
A gente tem algumas referências em cenas inspiradas no Paulo Gustavo e no Ferdinando (Marcus Majella) em “Vai que Cola”, programa de humor do Multishow. Há ainda uma cena mais poética e entra mais no lúdico, com um texto do Mia Couto, onde convidamos a pessoa para viajar com a gente numa brincadeira de transformar palavras em teatro.

Também trazemos expressões que se tornaram memes nos últimos anos; elementos dos anos 1980; e a performance de uma música de um jeito totalmente desconstruído. Isso tudo engloba diversos públicos de diferentes idades e com várias vivências, de forma que todo mundo na plateia entenda.

Quais as expectativas do elenco e da produção com relação à estreia?
Estamos ensaiando bastante. É uma curtíssima temporada, então, vamos tentar aproveitar ao máximo, porque é um processo muito intenso que a gente começou em agosto. Tínhamos aula nas segundas e quartas, das 19h às 22h, e mais para o final do processo, também passamos a ensaiar às sextas à noite e nas manhãs de sábado. É um grupo misto, com pessoas começando no teatro agora e outras pessoas que já estão mais acostumadas, mas todo mundo está ansioso para estrear.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Qual a importância de “Os Exóticos” e de outros trabalhos artísticos teatrais para população do DF, que, muitas vezes, não têm fácil acesso a produções culturais?
O teatro muda a forma de pensar das pessoas sobre vários tipos de temas, corpos e situações que elas ainda não puderam experimentar ou nunca tiveram contato. É um espaço onde a pessoa sai transformada, e a nossa esperança é que isso se espalhe e reverbere ao redor dos ciclos dela. É uma arte que gera um impacto no indivíduo e também inicia um impacto social. Na Casa dos Quatro, a gente pensa muito em como faremos para que o público chegue de um jeito e volte de outro. Há alguns semestres, estamos fazendo peças cada vez mais minimalistas, tanto em questão de cenário quanto de figurino, dando atenção a cada linha do texto para que elas cheguem ao psicológico da plateia. Nós buscamos acolher essas pessoas tanto para serem transformadas quanto para serem vetores de transformação.

FICHA TÉCNICA – OS EXÓTICOS

Direção: Morillo Carvalho
Texto: Alexandre Ribondi e outros
Assistência de Direção e Preparação de Atores: Geise Prazeres
Direção de Movimento e Coreografias: Irina Buss
Produção: Morillo Carvalho e Rui Miranda
Sonoplastia, Iluminação e Cenotécnica: Josias Silva
Cenografia: Morillo Carvalho
Elenco: Ana Elisa Santana, Ceó Pontual, Fernanda Diniz, Irina Buss, Laura Muniz, Lohany Kayná, Manassés, Monique Alvarenga, Vini Belém e Raíssa Vitório
Realização: Oficina do Ribondi / Casa dos Quatro

SERVIÇO
Espetáculo “Os Exóticos” 

De hoje (1º) a domingo (3)
Horários: sexta, às 20h; sábado, às 17h e às 20h; e domingo, às 16h e às 19h
Na Casa dos Quatro – 708 Norte, bloco F, loja 42
Ingressos a partir de R$ 20 no Sympla
Mais informações: (61) 98215-0302 / [email protected]

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE






Você pode gostar