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Músicos discutem retorno das apresentações presenciais

Artistas se reúnem hoje com deputado após enviar ofício ao governador

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Tatiana Py Dutra e Vítor Mendonça
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Representantes dos profissionais de música do Distrito Federal entregaram, na tarde da última segunda-feira (31), um ofício solicitando a volta de apresentações ao vivo em praças de alimentação de shoppings, bares, restaurantes e similares na capital, dentro dos protocolos de segurança adotados pelo GDF. “Esses estabelecimentos já estão funcionando, com distanciamento de mesas e limitação de público. Não vai alterar nada se tiver um cara tocando um piano”, defende Cacá Silva, da Associação dos Músicos e Artistas Populares do DF e Entorno (Asmap-DFE).

O pedido foi endereçado ao governador Ibaneis Rocha e protocolado na Casa Civil no mesmo dia. A intenção é que “o número de profissionais trabalhando” aumente. Hoje, os representantes se reunirão com o deputado federal do DF Luis Miranda (DEM) para tratar do assunto, às 16h.

O apelo foi feito pela Associação de Músicos e Artistas do DF e Entorno (AmarDFE), União dos Sambistas (USDF), Sindicato dos Músicos do DF, Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil/DF e Associação dos Músicos e Artistas Populares do DF e Entorno (ASMAP/DF-E), responsáveis por representar 7 mil músicos da capital que há mais de cinco meses não realizam apresentações presenciais.

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“O retorno da música ao vivo em locais que já estão em atividade pode ser permitido desde que não seja transformado em espetáculo”, defende o documento. A ideia é que o som produzido seja apenas ambiente.

De acordo com o presidente do Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil no DF, Anapolino Barbosa, o objetivo da proposta é oferecer novamente a possibilidade de renda para o artista local independente.

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“Essa pandemia está uma loucura. São vários músicos: alguns professores, outros de praça, outros são donos de bandas e de orquestras. Estes últimos são os mais enrolados porque têm funcionários para manter. Está um caos também para os operadores de som ou para quem aluga os instrumentos”, afirmou.

“Vendi meu equipamento a preço de banana”

Roberto Amaro, de 46 anos, conhecido como Beto Diehl, que há 20 anos faz parte da banda Matuskela, famosa na cena rock brasiliense nos anos 1970, teve de vender seus instrumentos para conseguir pagar as despesas diárias. Ele foi demitido da empresa onde trabalhava como entregador logo no início da pandemia, e, sem conseguir o auxílio emergencial, abriu mão dos equipamentos que tinha.

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“Eu vendi meu equipamento todo a preço de banana”, disse o profissional. O conjunto de mesa, cabos e caixas de som, além de alguns instrumentos musicais, segundo ele e conforme o valor de mercado, era avaliado entre R$ 16 mil e R$ 18 mil.

“Lembro que vendi por pouco mais de R$ 7 mil. Nem a metade do preço. E não sobrou nada”, contou Beto, que usou o recurso para custear as despesas de pensão, parcelas do carro, e contas atrasadas, além dos gastos diários.

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Rodrigo Falashi, de 30 anos, foi outro músico que precisou vender equipamentos musicais. Todo o setup de guitarra, avaliado em R$ 15 mil, foi vendido por R$ 5 mil para ajudar a pagar as contas de casa e compras do mês. Nos primeiros meses, ele conseguiu manter a renda com algumas reservas que havia feito anteriormente, mas não imaginava que a paralisação duraria tanto tempo.

“Quando a pandemia começou, teve um boato muito grande que os bares e as casas noturnas iriam fechar durante 15 dias. Quem tinha um pouco de dinheiro no bolso, conseguiu dar uma segurada, que era o meu caso”, afirmou. No entanto, as semanas viraram meses e a quantia inicial não foi suficiente a partir do terceiro mês. A partir daí, precisou abrir mão do material musical e da moradia que pagava aluguel, e conta agora com a ajuda e teto dos pais.

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“Sempre vivi 100% da música, mas se não fossem meus familiares, não sei o que faria. […] Dos 15 anos que trabalho com a música, sempre consegui meu próprio dinheiro. Agora só recebo o auxílio emergencial de R$ 600 — tem sido a minha renda”, disse.




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