Eu tinha acabado de sentar no meu sofá do Cosme Velho, tentando escolher entre um brunch atrasado no Jardim Botânico e um almocinho rápido em Ipanema, quando meu celular começou a chiar com print de Goiânia. Grupo de fofoqueiro, grupo de roteirista, grupo de socialite: todo mundo jogando o mesmo link, a mesma frase, o mesmo suspiro. Zé Felipe resolveu explicar por que, mesmo divorciado, vai continuar morando no mesmo condomínio da Virgínia, aquele aldeamento de mansões em que a vizinhança é metade sertanejo, metade publi de loja de luxo.
Fato concreto, sem drama de fanfic: Zé contou para os seguidores que a nova casa dele, no Aldeia do Vale, é no mesmo condomínio da ex-mulher, em Goiânia. Disse que a decisão foi tomada pensando nas crianças, para facilitar a rotina com Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo, além de manter pais e avós bem pertinho. Na fala dele, é tudo logística, aeroporto perto, família concentrada, “muito mais fácil para as crianças”, como se estivesse só organizando agenda de show, não o mapa sentimental da fanbase.

O bastidor, claro, é um pouco mais saboroso do que a resposta comportada da caixinha de perguntas. Eles se separaram, a internet decretou fim de conto de fadas, mas a reestruturação da vida veio com mansão nova, academia de vidro, estúdio musical e piscina dentro da suíte principal, e nada de rompimento geográfico radical. Ele reforça que não está triste, só cansado de trabalho, e que está “felizão” com a vida, enquanto a cara de quem virou madrugadas rodando show e processo de divórcio vira assunto de comentário em qualquer post.
Na camada digital, o roteiro é delicioso: seguidores divididos entre “coisa linda pensar nos filhos” e “isso aí tem recaída escrita em letras neon”. Tem fã jurando que a proximidade é prova de maturidade, tem outro grupo apostando quanto tempo falta para surgir story com churrasco em família, mesa de café reforçada e a velha legenda “família acima de tudo”. E as páginas de fofoca, claro, já estão tratando o Aldeia do Vale como se fosse condomínio-cenário de reality, com direito a plantão para flagrar encontro de garagem.

Da minha janela aqui no Cosme Velho, olhando esse mapa afetivo com CEP milionário, vou dizer sem medo: se todo ex resolvesse morar perto dos filhos com esse nível de estrutura, o IBGE ia ter que criar uma categoria nova de condomínio, “Zona de Convivência Pós-Divórcio com Piscina na Suíte”. E que fique registrado, minha filha, tem ar de pai presente, sim, mas também tem cheiro claríssimo de spin-off pronto para o dia em que alguém apertar o botão “gravar temporada dois”.