Gente, eu tô atrasadíssima. São 28 graus no Rio e o céu com cara de chuveiro, porque essa cidade agora resolveu que só sabe chover. Eu com o tênis num pé, a garrafa de água na mão e caçando a chave do carro para voar para a academia do Leblon quando o telefone toca com DDI do Chile. Atendi descendo a escada e parei no último degrau.
A notícia veio direto de Santiago: a Promotoria Metropolitana Oriente fechou a acusação contra Jorge Valdivia e pede 22 anos de prisão. São 12 anos por um estupro e outros 10 por abuso sexual, em casos denunciados por duas mulheres diferentes e ligados a fatos de outubro de 2024. Quem assina é o promotor Rodrigo Celis, chefe da unidade de gênero, depois de quase dois anos de investigação.

Para quem viveu o futebol dos anos 2000, Valdivia é o Mago, o meia chileno que virou ídolo do Palmeiras, passou pelo Rayo Vallecano, na Espanha, e fez parte da geração que deu ao Chile as Copas América de 2015 e 2016. Hoje com 42 anos, ele já trabalhava como comentarista quando o caso estourou.
E aí vem o detalhe que me fez quase perder a hora de vez: entre as testemunhas da Promotoria está Maite Orsini, que foi deputada no Chile e viveu com ele um namoro acompanhadíssimo pela imprensa de lá. Uma antiga namorada arrolada pela acusação num processo desses é o tipo de coisa que muda a temperatura de qualquer julgamento.
O caminho até aqui foi pesado. Valdivia passou 52 dias em prisão preventiva numa cadeia de Rancagua, em dois períodos diferentes, e hoje cumpre prisão domiciliar noturna, sem poder deixar o país nem se aproximar das denunciantes.

A defesa nega tudo e sustenta que as relações foram consensuais. A advogada Paula Vial ainda reclamou que a acusação apareceu na imprensa antes de ela ter acesso ao documento, o que, segundo ela, atropela o direito de defesa e a presunção de inocência do cliente. Não existe condenação, e quem decide agora é o tribunal no julgamento oral. Eu adoro uma fofoca, mas essa aqui eu vou acompanhar com o celular na bolsa e o coração apertado, em silêncio, até o juiz falar.