Eu estava na manicure, em casa mesmo, terça de rotina, quando recebi a ligação da minha amiga Renata, que mora no México e acompanha de perto o turismo em Puerto Vallarta. Ela me contou os detalhes com a voz embargada, e eu larguei o esmalte na hora para anotar tudo.
Irving Mauricio tinha 28 anos, morava na Cidade do México e estava na praia de Marina Vallarta na última sexta-feira, por volta das 18h30. Ele fotografava a areia perto da água, acompanhado de uma mulher cuja relação com ele não foi esclarecida, quando um crocodilo de 3,6 metros o atacou e o arrastou para o mar. Um turista americano hospedado no Marriott Puerto Vallarta Resort & Spa entrou na água numa tentativa desesperada de resgate, mas não conseguiu alcançá-lo antes que desaparecesse sob a água.

Os restos mortais de Irving só foram encontrados doze horas depois, a 2,5 quilômetros do local do ataque. Agentes ambientais capturaram um crocodilo que acreditam ser o responsável pela tragédia. A cidade de Puerto Vallarta, que vive do turismo de praia, ficou em choque com o episódio.

A mãe dele, Claudia Mauricio, publicou uma mensagem que me arrancou lágrimas assim que Renata me leu por telefone. Ela pediu perdão ao filho por falhas que talvez nem existam, e disse que nunca vai deixar de amá-lo. Como mãe e como mulher que também já sofreu perdas, essa dor me atravessa de um jeito que eu não consigo tratar com a leveza costumeira desta coluna.
Fica aqui meu respeito à família de Irving Mauricio nesse momento de luto tão brutal. E fica também um alerta sério para quem viaja para praias com histórico de fauna perigosa: entretenimento e fofoca são minha vida, mas segurança não se negocia.