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Kátia Flávia
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“Tive que ficar pelada”: Malévola relata humilhação e abuso após prisão no Egito

Influenciadora trans diz que foi submetida a revista íntima, ficou sem água e comida e teve crise de pânico; autoridades egípcias não comentaram os relatos

Kátia Flávia

22/10/2026 12h45

Malévola Alves relatou ter sido humilhada durante a detenção no Egito

Malévola Alves relatou ter sido humilhada durante a detenção no Egito

A influenciadora trans Malévola Alves afirmou que foi humilhada e abusada por policiais após ser detida no Egito com Bruna Mercatelli e outras brasileiras. Elas foram liberadas após pagamento de fiança, mas Malévola diz que seu celular permanece retido pelas autoridades.

Eu seguia pelo Chiado quando parei diante de uma vitrine, porque há notícia que não combina com passo apressado nem com comentário ligeiro. Malévola apareceu chorando nas redes e disse: “Eu fui muito humilhada, não paro de chorar”.

Segundo o relato dela, a prisão ocorreu porque o grupo era formado por mulheres trans. “Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans”, afirmou Malévola, contestando a versão de que a detenção teria ocorrido apenas pelos vídeos gravados em espaços públicos.

A influenciadora disse que precisou ficar nua diante dos agentes. “Eu tive que ficar pelada e, quando viram a minha vagina, começaram a me tratar bem”, relatou. Ela afirmou ainda que, por medo, disse às autoridades que não era trans.

Eu fechei a cara ali mesmo, minhas filhas. Uma pessoa ser submetida a uma situação dessas e depois precisar explicar sua própria identidade para tentar sobreviver ao constrangimento é uma violência narrada por ela, não uma cena para plateia debochar em comentário de internet.

Malévola também alegou ter sido abusada por policiais ao lado da amiga. “Vocês não sabem o que passamos naquela delegacia e agora estão rindo”, escreveu. As denúncias são da influenciadora e não houve manifestação pública das autoridades egípcias sobre essas acusações.

Bruna Mercatelli afirmou que o grupo passou a madrugada em uma penitenciária após prestar depoimento e assinar documentos. Segundo ela, as brasileiras ficaram parte do período sem receber comida e água e foram levadas ao aeroporto em um camburão fechado.

Liberadas após uma fiança de cerca de R$ 10 mil, Malévola e as demais brasileiras tinham retorno ao Brasil previsto para esta quinta-feira. Ela afirma estar em crise de pânico e pretende buscar atendimento médico assim que desembarcar. Eu sigo pela rua com uma certeza amarga: se tudo ocorreu como elas relatam, não há nada de “polêmica de influencer” nessa história. Há uma denúncia gravíssima que exige apuração.

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