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Kátia Flávia
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Thomaz Costa procura Trump, leva deboche e responde com arrogância na web

Após pedir atenção ao presidente americano, ex-ator rebate seguidores, exalta Balneário Camboriú e diz que não precisa de Trump.

Kátia Flávia

04/11/2026 9h56

Thomaz Costa exaltou Balneário Camboriú ao comentar sua rotina e suas opiniões sobre o Brasil.

Thomaz Costa exaltou Balneário Camboriú ao comentar sua rotina e suas opiniões sobre o Brasil.

Eu estava no Cosme Velho, com meu café recém-passado e o Otávio esticado no sofá, quando apareceu um vídeo de Thomaz Costa que me fez largar a xícara. O rapaz, que ficou conhecido como ator de Carrossel, resolveu dar uma resposta atravessada aos seguidores que queriam saber se Donald Trump havia respondido ao seu apelo. Minha primeira reação foi pensar: mas não foi ele mesmo quem procurou o presidente americano?

A história é de uma contradição deliciosa. Thomaz havia recorrido às redes sociais para chamar a atenção de Trump, pedindo que o americano olhasse suas mensagens privadas. O assunto envolvia reclamações sobre o Brasil, o cenário político e a segurança pública. Mas bastou o público cobrar uma resposta para o antigo ator infantil mudar completamente o tom.

“Eu não preciso do Trump”, disparou. E, para justificar sua independência presidencial, apresentou um argumento imobiliário: mora em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Segundo ele, ali ninguém rouba seu iPhone, não existe máfia do ouro nem preocupação com relógios Rolex. Uma declaração e tanto para quem parece acreditar que morar em um endereço valorizado resolve os problemas de um país inteiro.

E antes que alguém me entenda errado, eu adoro Balneário Camboriú. Acho a cidade maravilhosa, gosto daquela paisagem de arranha-céus diante do mar e não preciso diminuir Santa Catarina para questionar o comportamento de ninguém. O problema não é onde Thomaz mora. É a maneira como ele transforma o próprio conforto em argumento para responder a quem o acompanha.

O rapaz ainda afirmou que a cidade nunca foi governada pelo PT, classificou Santa Catarina como um “estado de direita” e declarou que ali tudo funciona. São avaliações políticas dele, não um certificado de que a cidade esteja imune à criminalidade. Segurança pública é assunto sério demais para ser resumido à vista da janela de um apartamento.

E tem mais. Thomaz disse que seus amigos e familiares querem se mudar para Santa Catarina e explicou que o pedido a Trump não era por interesse pessoal, mas pelos brasileiros. Terminou com uma frase que merece ser examinada: “Cada um tem o Brasil que merece”. Ora, meu querido, o Brasil não termina na divisa de Santa Catarina, e morar bem não transforma ninguém em autoridade sobre a vida dos outros.

Thomaz tem todo o direito de defender suas posições políticas, elogiar a cidade onde vive e procurar quem quiser nas redes sociais. Mas quem faz um apelo público ao presidente dos Estados Unidos também precisa aceitar que o público pergunte pelo resultado. Isso não é perseguição. É consequência da própria exposição.

O menino de Carrossel cresceu, trocou os roteiros de televisão pelas opiniões na internet e agora protagoniza uma discussão que ele mesmo ajudou a criar. Quanto à resposta de Trump, o material divulgado não apresenta confirmação de que ela tenha chegado. E eu continuo aqui, tomando meu café, pensando que elegância não depende de CEP, muito menos de cobertura com vista para o mar.

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