Eu estava no meio da série de agachamento na academia do Leblon, suando a alma, quando o celular vibrou com chamada de vídeo da produção do Thiago Arancam. Atendi ofegante, encostada no espelho, e no primeiro minuto ouvi “Evidências” e “orquestra sinfônica” na mesma frase. Larguei o peso no chão. Gente, o homem que foi o Fantasma da Ópera no Brasil vai cantar sertanejo com coro e corpo de baile, e quem vai ver primeiro é Brasília.
O espetáculo se chama Ópera do Sertão e faz a estreia nacional no domingo, 29 de novembro, no Teatro Nacional Cláudio Santoro, na Sala Martins Pena. São duas sessões, às 17h e às 20h, com 90 minutos de duração e classificação livre. Os ingressos já estão no Sympla, de R$ 25 a R$ 220, e quem quiser tirar dúvida liga para (61) 99837‑0077.
A ideia tem raiz: o show se inspira nas antigas companhias que misturavam circo e teatro e rodavam o interior do país levando música a cidades que nunca tiveram uma sala de espetáculo. No palco, Thiago vive o Cantador, que comanda uma trupe de músicos, atores e bailarinos contando histórias do povo do sertão, com o repertório dividido em blocos, cada um com sua própria atmosfera visual.
E o repertório é de fazer o Planalto inteiro cantar junto: Disparada, Menino da Porteira, Asa Branca, Romaria, Tocando em Frente, Evidências e Luar do Sertão, tudo com arranjos novos. A direção musical e os arranjos são de Rafael Waisman, a dramaturgia é de Rodrigo Soalheiro, a concepção cênica é de José Mauro Brant e a direção geral fica com Larissa Lopes.

Para quem ainda não liga o nome à voz, Thiago Arancam soma mais de 700 apresentações em mais de 40 países. Um tenor desse tamanho escolher a capital para estrear um projeto sobre a música do interior faz todo sentido: Brasília é a cidade que recebeu gente de todos os sertões do país. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, com patrocínio da Bradesco Seguros.
Depois da estreia, a Ópera do Sertão sai em turnê entre o fim de 2026 e 2027 por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador e Manaus, com datas ainda a anunciar. Ou seja, carioca e paulista vão ter que esperar na fila. Desliguei a chamada, voltei para o agachamento e terminei a série cantarolando Evidências baixinho, com o personal me olhando torto.