Estava aqui no terraço em Cosme Velho, tomando um café com calma de quem merece, quando caiu a entrevista da Thais Carla no Gshow, e eu precisei parar tudo.
Um ano exato da bariátrica, realizada em 28 de abril de 2025, e a conta fecha assim: 100 quilos eliminados, 99 na balança, e uma mulher que olha pra tudo isso com uma serenidade que, convenhamos, a internet ainda não aprendeu a processar. Ela chegou ao simbólico, esse número que sai dos três dígitos e vira manchete, mas foi direto ao ponto sobre o que isso significa, ou melhor, sobre o que não significa.



“Não virei outra pessoa por causa do meu corpo. Continuo sendo uma mulher gorda na luta contra a gordofobia estrutural”, disse ela. E disse sem cerimônia, sem aquele discurso de marqueteiro que a gente vê quando famoso emagrece e resolve fazer as pazes com o próprio passado numa live patrocinada. A Thais está dizendo que o problema nunca foi o corpo dela, que o problema é como a sociedade trata quem foge do padrão. Isso não muda com a balança.
Não faz muito tempo que ela apareceu nos Stories dançando na Bahia, de top e shortinho, ao som de Britney e Anitta, essa Anitta para quem ela já foi bailarina. A imprensa ainda contabilizava 90 kg perdidos. Agora são 100, com processo acompanhado por médicos, alimentação e exercício, sem mistério e sem milagre. Sobre a possível cirurgia reparadora, ela respondeu com a mesma linha: avalia com a equipe, sem pressa, sem pressão estética. Cada frase dessa mulher parece calibrada contra o ruído que sempre a cercou.
E tem mais: casada com Israel Reis, mãe de Maria Clara e Eva, ela conta que ensina as filhas que o ataque nunca é sobre elas, é sobre quem ataca. E que, quando necessário, vai à Justiça, porque “ataque não é opinião, é violência”. Essa frase deveria ser cartaz de consultório.
A Thais Carla chegou aos 99 kg no dia em que completa um ano de uma decisão que foi dela, por razões dela, com acompanhamento médico, e sem pedir aprovação de ninguém. O que ela está entregando não é uma transformação física para consumo público. É a consistência rara de uma pessoa que não mudou de lado quando o corpo mudou de tamanho.