Um cliente e a esposa comeram um bolo comprado em uma unidade da Casa de Bolos, em Porto Alegre, durante dois dias antes de encontrarem um rato morto inteiro no meio da massa, no terceiro dia. Segundo a Polícia Civil, o casal procurou um infectologista e iniciou tratamento profilático contra leptospirose.
Eu estava com as amigas em Madri quando li o novo detalhe dessa história e precisei afastar o prato por um instante. Porque já é horroroso encontrar um rato em um bolo, mas descobrir o “ingrediente” depois de dois dias de café, fatia e repeteco é o tipo de trauma que muda para sempre a relação de qualquer pessoa com uma forma untada.
De acordo com a delegada Milena Simioli, o bolo foi comprado em 29 de setembro e nada de estranho foi percebido nos primeiros dias. No terceiro, o casal encontrou o animal inteiro no interior da massa. Até o momento, segundo a polícia, os dois não apresentaram problemas de saúde.

Eu tento imaginar a cena e não consigo sem sentir um arrepio. Bolo deveria trazer açúcar, memória afetiva e, no máximo, uma uva-passa polêmica. Rato morto no meio da massa não é surpresa, não é acidente pequeno e muito menos um detalhe que se resolve com cobertura de chocolate.
A investigação trabalha com a hipótese de que o roedor já estava no forno quando o bolo foi assado. Segundo a delegada, ele teria tentado fugir do calor e caído na massa. “Assou junto com o bolo”, afirmou Simioli ao descrever o estado em que o animal foi encontrado.
Eu vou parar por aqui com a imagem, porque a informação já é suficientemente pesada. O que interessa é que o caso levou a uma fiscalização sanitária, e as autoridades precisam investigar com todo o rigor como um alimento chegou ao consumidor nessas condições.

A proprietária da unidade Cavalhada, de 41 anos, foi presa em flagrante, mas deixou a prisão após audiência de custódia e responderá ao processo em liberdade. A fiscalização encontrou fezes e urina de roedores, produtos vencidos e problemas de higiene no estabelecimento, que foi interditado. Em nota, a Casa de Bolos classificou a situação como inaceitável, disse acompanhar o caso e afirmou que as franquias devem cumprir padrões sanitários.
Eu deixo meu veredito sem açúcar: comida é assunto de saúde pública, não de sorte. Que a apuração esclareça tudo, que os responsáveis respondam pelo que for comprovado e que ninguém mais tenha de descobrir, na terceira fatia, que o bolo vinha com pesadelo assado junto.