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Kátia Flávia
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Shell Brasil troca de comando e Cristiano sai após 30 anos

Chamada de vídeo em Ibiza, com o sol batendo na tela e eu quase sem enxergar o interlocutor, mas ouvindo cada sílaba: a Shell Brasil trocou de presidente. Larguei o copo. Isso aqui não é fofoquinha de diretoria, é mudança de comando na joia da coroa do grupo inteiro.

Kátia Flávia

03/08/2026 10h56

A Shell Brasil inicia um novo ciclo com a chegada de João Santos Rosa, enquanto Cristiano Pinto da Costa encerra uma trajetória de quase 30 anos na companhia.

A Shell Brasil inicia um novo ciclo com a chegada de João Santos Rosa, enquanto Cristiano Pinto da Costa encerra uma trajetória de quase 30 anos na companhia.

A partir de 1º de agosto, quem senta na cadeira é João Santos Rosa, que acumula também a função de Vice-Presidente Executivo para o Brasil na linha global de Upstream. Ele vem da presidência da Shell na Itália, é português, entrou na companhia em 2002 e já passou por Reino Unido, Austrália, Holanda e Estados Unidos, com atuação nas áreas de upstream, trading e novos negócios. São mais de 20 anos de experiência no setor de energia e um currículo construído justamente para assumir esse tipo de desafio.

Sai Cristiano Pinto da Costa, que encerra quase 30 anos de trajetória na companhia, sendo os últimos quatro à frente da operação brasileira. E olha o destino dele: um cargo de liderança na XRG, em Abu Dhabi. Ninguém troca a Barra da Tijuca pelo Golfo Pérsico sem um convite de peso na mesa, e eu quero muito saber o tamanho desse convite.

Agora os números, porque aqui a fofoca vem acompanhada de planilha. A Shell Brasil é hoje a maior produtora de petróleo do grupo no mundo e a segunda maior do país, com participação em mais de 20 navios-plataforma. Somente em 2025, a companhia destinou ao Brasil um investimento recorde de R$ 12,5 bilhões. Nos últimos quatro anos, a produção cresceu cerca de 25%, ultrapassando 500 mil barris por dia em março deste ano.

A herança que João Santos Rosa encontra é robusta. A companhia aprovou a decisão final de investimento do projeto Orca, com primeiro óleo previsto para 2029, ampliou em mais de 130% sua carteira de Exploração e Produção, que hoje reúne mais de 70 contratos, incluindo áreas em Sul de Santos e Pelotas. Na área de pesquisa, a empresa segue como a companhia privada que mais investe no país por meio da cláusula da ANP, destinando cerca de R$ 500 milhões por ano. Para 2026, ainda estão previstas 79 iniciativas socioculturais.

Cristiano Pinto da Costa saiu falando em honra e orgulho. João Santos Rosa chegou destacando entusiasmo e senso de responsabilidade. A transição já foi iniciada e aconteceu sem qualquer ruído público entre os dois. Nota oficial redonda, sem indiretas e sem atritos aparentes. E é exatamente isso que desperta minha curiosidade: quando uma troca de comando é tão bem coreografada assim, normalmente ela começou a ser desenhada muito antes de chegar ao mercado. Eu ainda vou descobrir desde quando.

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