Selton Mello abriu o jogo sobre a Seleção Brasileira às vésperas da estreia do Brasil na Copa do Mundo e deixou claro que não está nem um pouco empolgado com o torneio. Em um desabafo nas redes sociais, o ator afirmou que não tem interesse em acompanhar a competição e criticou a falta de identificação com o atual time brasileiro.
Eu já estava no salão, com o cabelo lavado, a toalha enrolada na cabeça e aquela vulnerabilidade absoluta de quem fica parecendo uma testemunha protegida diante do espelho, quando a assistente veio me mostrar o desabafo de Selton Mello sobre a Copa. Eu ainda estava tentando decidir se fazia escova lisa ou uma coisa mais “mulher que entende de si”, quando li “nenhum interesse”. Minha filha, até o cabeleireiro parou de massagear o creme. Porque brasileiro dizer que não quer saber da Copa é quase renunciar ao CPF emocional.

O ator publicou o desabafo nesta quarta-feira (10), em meio à contagem regressiva para o início do Mundial. Sem rodeios, Selton afirmou que não sabe nem quando a Seleção entra em campo.
“Nenhum interesse na Copa do Mundo. Nem sei quando a gente joga. Parei no Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Romário, Ronaldo, Cafu, Kaká, etc.”, escreveu.
A fala veio acompanhada de uma crítica direta ao atual momento da Seleção Brasileira. Para Selton, falta algo que marcou gerações anteriores de jogadores.
“Não há mais amor pela camisa, nem paixão em defender o país. Não contagiam, não me pegam. Mais alguém assim?”, completou.
A publicação dividiu opiniões. Parte dos seguidores concordou com o ator e afirmou sentir o mesmo distanciamento em relação ao time atual. Outros rebateram o tom saudosista e defenderam que a Seleção ainda merece apoio, mesmo sem viver a era dos grandes ídolos citados por ele.
Um internauta resumiu a crítica ao apego ao passado: “Quem vive de passado é museu. Se for pensar assim, ninguém iria em cinema, só iriam assistir filmes antigos já consagrados. Respeito pelo passado e esperança no presente”.
Outra seguidora foi pelo caminho oposto e disse que vai assistir justamente porque Copa também é encontro, festa e lembrança. “Eu estou na base do ‘só tem tu, vai tu mesmo’. Logo chego aos 70 anos, adoro futebol, reunir amigos em torno de bebericagens e acepipes… Não sei se estarei viva daqui a 4 anos. Então, vou aproveitar o ensejo e me jogar na Copa”, comentou.
O Brasil estreia no sábado (13), contra o Marrocos. A partida marca o primeiro compromisso da Seleção no torneio e chega cercada por debates sobre Neymar, Carlo Ancelotti, desempenho, lesões e a capacidade do time de reacender a paixão do torcedor.

Enquanto isso, Selton parece representar um pedaço do público que perdeu a conexão afetiva com a camisa amarela. Não é exatamente ódio. É pior para qualquer produto cultural: indiferença.
Quando o cabeleireiro voltou com o secador, fiquei pensando que talvez o desabafo de Selton bata num ponto sensível. A Seleção ainda move audiência, bar, churrasco e aposta de grupo de família. Mas aquela febre antiga, aquela coisa de parar o país com brilho no olho, anda meio anêmica. Copa sem encanto é igual escova sem finalizador: até acontece, mas não levanta ninguém da cadeira.