Cyntia Cyndel, ex-babá da família Poncio, voltou a chamar atenção nas redes sociais após a prisão do pastor Márcio Poncio. A influenciadora e vendedora de açaí negou que tenha sido demitida por vazar informações dos antigos patrões, mas afirmou que sabe “coisas grandes” sobre a família.
Eu tinha acabado uma reunião com cara de palestra motivacional sequestrada por planilha quando o celular piscou com o nome Poncio e eu soube que vinha coisa. Tirei o fone, fechei a porta do escritório e abri a notícia com a cautela de quem sabe que família rica, ex-funcionária e prisão federal formam uma combinação mais inflamável que vela aromática em closet de grife. Quando li “sei de coisas grandes”, parei até de respirar direito. Isso não é frase, é trailer de série documental.

Cyntia trabalhou como babá na casa dos Poncio e acabou ganhando visibilidade nas redes durante o período em que convivia com a família. Nos últimos dias, depois da prisão de Márcio, internautas voltaram a especular sobre sua saída e chegaram a dizer que ela recebia salário de R$ 10 mil por mês. A ex-funcionária foi às redes negar as duas versões.
“Não saí por conta de fofoca, nunca vazei nada”, afirmou. Cyntia disse que sabe muita coisa que a mídia não sabe e que, justamente por isso, os Poncio teriam certeza de que não era ela quem passava informações. Segundo ela, existem assuntos grandes que não precisam ser falados. Pronto. A internet ouviu “não vou falar” e imediatamente entendeu “tem uma bomba guardada no armário”.
E é aí que mora o veneno delicioso dessa história. Porque, quando alguém diz que é profissional, tem caráter e não vai abrir a boca, a gente até respeita. Mas o público não escuta silêncio. O público escuta senha de cofre. Ainda mais quando o sobrenome envolvido é Poncio, família que já virou novela, reality imaginário, escândalo de DNA, traição cruzada, luxo evangélico e agora caso policial.
Cyntia também rebateu o boato de que ganhava R$ 10 mil mensais. Disse que nunca recebeu esse valor e questionou se, caso ganhasse tudo isso, não teria ao menos comprado uma casa ou um carro. Contou ainda que pagava aluguel, mesmo morando em um apartamento dos Poncio, e que não recebia valor extra quando viajava a trabalho.
Eu acho esse pedaço importante porque desmonta aquela fantasia que a internet adora criar em torno de casa de rico. O povo vê mansão, viagem, roupa combinando e já imagina que todo mundo ali dentro está vivendo conto de fadas remunerado. Só que bastidor doméstico de família poderosa costuma ter hierarquia, silêncio e muita história que não cabe no feed. Cyntia pode não querer falar, mas deixou claro que viu o suficiente para saber onde pisava.
O caso ganhou força porque Márcio Poncio foi preso na quinta-feira (2), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. A investigação apura indícios de lavagem de dinheiro ligados à nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema envolvendo integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do estado.
No meio disso tudo, Cyntia surge como aquela personagem lateral que o público acha que sabe mais do que todo mundo. E talvez saiba mesmo. Ex-babá vê rotina, escuta conversa atravessada, percebe mudança de humor, sabe quem chega, quem sai, quem finge, quem manda, quem chora e quem posa. Casa de família famosa não tem só sala de estar. Tem bastidor respirando atrás da porta.

Eu não estou dizendo que ela tem bomba contra ninguém, porque ela mesma disse que não vai falar. Mas também não dá para ignorar o peso de uma frase dessas no momento em que o patriarca da família está preso. “Sei de coisas grandes” não é uma defesa comum. É um recado com freio de mão puxado. E, na internet, recado assim vira gasolina.
Depois de ler tudo, voltei para a agenda da tarde com a concentração de uma pessoa que ouviu barulho no telhado e fingiu que era vento. A família Poncio já tinha escândalo suficiente para lotar uma temporada inteira. Agora, com ex-babá dizendo que sabe o que a mídia não sabe, o roteiro ganhou narradora em potencial. Só falta saber se ela vai manter o silêncio ou se um dia resolve abrir a porta da casa que tanta gente quer espiar.