Amigaaaaas, segurem minhas taças! Estou aqui em Sintra, tentando decidir se vou passear pelo centro histórico ou me entregar a mais um travesseiro da Piriquita, quando recebo uma notícia que mexeu com meu coração de carioca e com meu fígado de socialite aposentada! O Rubaiyat, aquele restaurante que eu simplesmente adoro, resolveu transformar seus quase 70 anos de história em dez coquetéis. Dez, minhas filhas! E eu, que já estava organizando minha agenda para voltar ao Brasil, agora tenho mais três compromissos importantíssimos: bebericar no Rio de Janeiro, brindar em São Paulo e reunir minhas amigas em Brasília. Porque aniversário de restaurante também merece peregrinação, e a minha será de salto alto e taça na mão!
A novidade antecipa as comemorações dos 70 anos do Rubaiyat, que serão celebrados em 2027. A família Iglesias resolveu contar sua trajetória por meio da coquetelaria, começando pela viagem de Belarmino Fernández Iglesias, que deixou a Galícia, na Espanha, para construir uma nova vida no Brasil. A ideia é transformar momentos dessa história em receitas autorais. E quem assina os dez drinques é Gabriel Bernardes, profissional que integra o grupo desde 2018 e atualmente trabalha no Chile. Achei finíssimo! Tem gente que conta a história da família com álbum de fotografias. Os Iglesias resolveram colocar tudo dentro de uma taça.
E os nomes, minhas queridas? Um espetáculo à parte! O Galícia mistura licor de anis, vodka cítrica, abacaxi e capim-santo, homenageando a terra natal do fundador. O Travessia combina pisco, rum envelhecido, licor de flor de sabugueiro e Pinot Grigio, numa referência à mudança para o Brasil. Mas confesso que fiquei especialmente interessada no Um Dólar e um Sonho, feito com cachaça Tulha Ouro, brandy, vermouth de jabuticaba e amarena. O nome vem de uma história familiar segundo a qual Belarmino chegou ao país com apenas um dólar no bolso. Gente, imaginem transformar um dólar num grupo de restaurantes! Eu chego à Zara com cem euros e saio devendo!
E tem muito mais. O Vieira de Carvalho, preparado com gin, tônica, hibisco e figo, homenageia o primeiro endereço do Rubaiyat, inaugurado em São Paulo, em 1957. O Belana, que une os nomes de Belarmino Filho e Ana Iglesias, leva Campari, vermouth rosso e bitter de laranja. Já o Dois Irmãos, com vinho do Porto, Jerez, rum branco e cordial de limão, celebra Victor e Diego, representantes da terceira geração da família. Amei a homenagem! Aqui em Portugal, onde vinho do Porto é praticamente assunto de família, já fiquei curiosíssima para experimentar.
A carta ainda traz o Khayyam, inspirado no poeta persa Omar Khayyam, o Setenta, com Steinhäger, caramelo salgado e café expresso, o Eterno Retorno, com bourbon, Aperol, licor de lúpulo, maçã verde e limão, e o Legado, combinação de cachaça branca, Amaretto, chá-mate e limão. Os preços variam de R$ 48 a R$ 74, conforme o coquetel e a unidade. E Gabriel Bernardes, responsável pelas criações, aposta numa coquetelaria de poucos ingredientes, técnica apurada e sabores bem definidos. Ou seja, nada daquela mistureba que parece festa de faculdade às três da manhã.
Agora vou contar o meu verdadeiro problema. Já estou ligando para as amigas do Rio, de São Paulo e de Brasília para organizar uma rodada em cada cidade assim que eu voltar ao Brasil. No Rio, quero reunir minhas cariocas no Rubaiyat do Jardim Botânico. Em São Paulo, a ideia é transformar a visita numa daquelas tardes que começam com almoço e terminam com alguém dizendo que precisa ir embora há duas horas. E Brasília? Ah, minhas filhas, Brasília merece uma mesa inteira! Só falta confirmar em quais unidades a nova carta estará disponível, porque eu não vou atravessar o país para ficar olhando fotografia de coquetel.

Enquanto isso, continuo aqui em Sintra, pensando que o Rubaiyat encontrou uma maneira muito elegante de comemorar a própria história. Setenta anos, três gerações e dez receitas para brindar uma trajetória que começou com um imigrante espanhol e ganhou espaço na gastronomia brasileira.
E vou avisando às minhas amigas: quando eu chegar, ninguém vai me convidar para tomar cafezinho. Quero Rubaiyat, uma mesa grande e tempo suficiente para experimentar essa história toda. Afinal, fofoca boa também merece um brinde!